O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio nas eleições de 2026, foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), na oitava fase da Operação Unha e Carne.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram presos o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e quatro inspetores da corporação.
Segundo a PF, Canella atuaria como articulador político de uma organização criminosa que utilizaria postos de combustíveis para lavar dinheiro. Os investigadores afirmam que ele faria a ligação entre agentes públicos, empresários e operadores do grupo, além de influenciar nomeações e contratações.
A Procuradoria-Geral da República também descreveu o político como elo entre o poder público e os demais investigados. A defesa de Canella informou que não se manifestaria antes de ter acesso aos autos.
Durante buscas realizadas em julho, a PF encontrou anotações na casa do inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior com registros de valores destinados a pessoas identificadas como “Canela”, “JR” e “PR”. Para os investigadores, os nomes corresponderiam a Canella, José Carlos Júnior e ao inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
As anotações mencionavam repasses de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil atribuídos a Canella, sendo o último valor associado ao codinome “Amigo”. Os registros estavam relacionados aos postos Jardim Uba e Auto Posto LP Francis.
A análise financeira citada na investigação identificou cerca de R$ 2,59 milhões em créditos nas contas de Canella entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, R$ 1,4 milhão teria vindo da Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual o político era sócio.
A PF também sustenta que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para a Secretaria de Estado de Polícia Civil. Segundo os investigadores, ele ainda teria participado de uma mudança legislativa na Assembleia Legislativa do Rio para flexibilizar os requisitos de carreira exigidos para o comando da Polícia Civil.
A investigação menciona ainda possíveis relações de Canella com milícias e com integrantes do Comando Vermelho. Entre os elementos citados está a nomeação da mulher de Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura e apontado pela PF como liderança do grupo miliciano Somos Comunidade, para um cargo no gabinete parlamentar do político.
Sobre o Comando Vermelho, a representação policial cita áudios de uma negociação entre um capitão da Polícia Militar e líderes da facção. De acordo com a PF, o oficial teria intermediado interesses da gestão de Canella em Belford Roxo, mas o trecho não indica uma conversa direta do político com os criminosos.
Canella já havia sido preso em flagrante em 7 de julho, durante a sexta fase da operação, após a PF encontrar um fuzil em seu veículo. Moraes determinou sua soltura em 10 de julho, e as medidas cautelares foram revogadas em 23 de julho. A nova prisão é preventiva e está relacionada ao aprofundamento das apurações sobre a organização e a movimentação de recursos.
Fonte: G1