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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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JUSTIÇA

PF prende Márcio Canella em investigação sobre lavagem de dinheiro no RJ

Márcio Canella foi preso pela PF em investigação que apura lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis no Rio.

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O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio nas eleições de 2026, foi preso preventivamente pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15), na oitava fase da Operação Unha e Carne.

A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também foram presos o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e quatro inspetores da corporação.

Segundo a PF, Canella atuaria como articulador político de uma organização criminosa que utilizaria postos de combustíveis para lavar dinheiro. Os investigadores afirmam que ele faria a ligação entre agentes públicos, empresários e operadores do grupo, além de influenciar nomeações e contratações.

A Procuradoria-Geral da República também descreveu o político como elo entre o poder público e os demais investigados. A defesa de Canella informou que não se manifestaria antes de ter acesso aos autos.

Durante buscas realizadas em julho, a PF encontrou anotações na casa do inspetor José Carlos Alves de Souza Júnior com registros de valores destinados a pessoas identificadas como “Canela”, “JR” e “PR”. Para os investigadores, os nomes corresponderiam a Canella, José Carlos Júnior e ao inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.

As anotações mencionavam repasses de R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil atribuídos a Canella, sendo o último valor associado ao codinome “Amigo”. Os registros estavam relacionados aos postos Jardim Uba e Auto Posto LP Francis.

A análise financeira citada na investigação identificou cerca de R$ 2,59 milhões em créditos nas contas de Canella entre maio de 2025 e abril de 2026. Desse total, R$ 1,4 milhão teria vindo da Brumar Empreendimentos e Participações, empresa da qual o político era sócio.

A PF também sustenta que Canella articulou a indicação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, depois, para a Secretaria de Estado de Polícia Civil. Segundo os investigadores, ele ainda teria participado de uma mudança legislativa na Assembleia Legislativa do Rio para flexibilizar os requisitos de carreira exigidos para o comando da Polícia Civil.

A investigação menciona ainda possíveis relações de Canella com milícias e com integrantes do Comando Vermelho. Entre os elementos citados está a nomeação da mulher de Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura e apontado pela PF como liderança do grupo miliciano Somos Comunidade, para um cargo no gabinete parlamentar do político.

Sobre o Comando Vermelho, a representação policial cita áudios de uma negociação entre um capitão da Polícia Militar e líderes da facção. De acordo com a PF, o oficial teria intermediado interesses da gestão de Canella em Belford Roxo, mas o trecho não indica uma conversa direta do político com os criminosos.

Canella já havia sido preso em flagrante em 7 de julho, durante a sexta fase da operação, após a PF encontrar um fuzil em seu veículo. Moraes determinou sua soltura em 10 de julho, e as medidas cautelares foram revogadas em 23 de julho. A nova prisão é preventiva e está relacionada ao aprofundamento das apurações sobre a organização e a movimentação de recursos.

Fonte: G1

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