Um grupo investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro recebia antecipadamente informações sobre fiscalizações do Procon e de outros órgãos, segundo a corporação. Os alertas incluíam estabelecimentos-alvo, cronogramas, horários e até dados dos veículos usados pelas equipes.
As informações constam da representação que embasou a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (15). A ação resultou na prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, do policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, além de José Carlos Alves de Souza Júnior e dos policiais Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.
De acordo com a PF, os avisos chegavam a Pablo por meio do advogado Diogo Pacheco do Couto. Em alguns casos, o grupo teria recebido o planejamento semanal das inspeções e o horário exato de início de uma fiscalização, marcado para 9h30.
A investigação aponta que as informações eram obtidas com servidores ligados a órgãos de defesa do consumidor. A representação cita Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, então ocupante de cargo comissionado na Secretaria de Defesa do Consumidor, e Luiz Ricardo Estevam Lima, chamado de Tchetcheco Trindade, apontado como coordenador do Balcão do Consumidor do Procon-RJ e ocupante de cargo comissionado na pasta.
Segundo os investigadores, os alertas permitiam que os responsáveis pelos postos se antecipassem às inspeções e dificultassem a identificação de irregularidades. Uma das fiscalizações mencionadas verificava se a quantidade de combustível entregue pelas bombas correspondia ao volume registrado.
A PF também afirma que Pablo e José Carlos seriam gestores de fato da rede de postos, enquanto várias empresas estavam formalmente registradas em nome das mulheres dos dois. Canella é apontado como articulador político do grupo, e Amim, como responsável por garantir proteção institucional às atividades investigadas.
O relatório de inteligência financeira citado pela Procuradoria-Geral da República reúne 2.171 comunicações de operações suspeitas, envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas. A movimentação estimada foi de R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026, valor que, segundo a investigação, corresponde às operações analisadas e não representa quantia comprovadamente lavada pela Justiça.
A operação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de cartel no setor de combustíveis, entre outros crimes. A PF cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão.
A defesa de Marcus Amim informou que não se manifestará antes de ter acesso aos autos. A defesa de Márcio Canella afirmou que não comentaria o caso por ainda não ter acesso à decisão que determinou a prisão; os demais investigados não haviam se manifestado, segundo o veículo originador.
Fonte: g1