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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

PF diz que grupo ligado a Canella recebia avisos de fiscalizações em postos

Segundo a PF, grupo investigado por lavagem de dinheiro recebia antecipadamente dados de fiscalizações em postos de combustíveis no Rio.

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A Polícia Federal afirma que um grupo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro recebia antecipadamente informações sigilosas sobre fiscalizações do Procon e de outros órgãos.

Segundo a investigação, os avisos eram repassados ao policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e incluíam os postos que seriam vistoriados, o cronograma semanal, os horários das ações e até dados dos veículos usados pelas equipes.

As informações constam da representação que embasou a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na quinta-feira (15). A operação prendeu o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, além do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, de Pablo Russo e dos policiais civis José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes.

A PF aponta Canella como articulador político do grupo e Amim como responsável por assegurar proteção institucional às atividades investigadas. Pablo e José Carlos seriam, segundo os investigadores, os gestores de fato da rede de postos, embora parte das empresas estivesse formalmente registrada em nome das mulheres dos dois.

A análise do celular de Pablo identificou, de acordo com a PF, repasses de informações entre abril e maio de 2026. Em um dos episódios, o advogado Diogo Pacheco do Couto teria informado o horário exato de início de uma fiscalização em São Gonçalo: 9h30.

Também foram identificados alertas sobre inspeções em postos de Raul Veiga e do Posto Barcellos, além do envio de uma planilha com o cronograma semanal de fiscalizações e de um documento relacionado ao veículo usado pelos fiscais.

Segundo a investigação, parte dos dados teria sido fornecida por Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, e Luiz Ricardo Estevam Lima, chamado de Tchetcheco Trindade. A representação da PF os identifica como servidores ou ocupantes de cargos comissionados ligados a órgãos de defesa do consumidor.

Para a Polícia Federal, a antecipação das fiscalizações poderia permitir ao grupo dificultar a identificação de irregularidades, ocultar provas e reduzir os efeitos das inspeções. Uma das ações citadas verificava se o volume de combustível entregue pelas bombas correspondia ao registrado.

A investigação também apura suspeitas de corrupção, formação de cartel e lavagem de dinheiro. Um relatório de inteligência financeira mencionado pela Procuradoria-Geral da República reúne 2.171 comunicações de operações suspeitas e estima movimentações de R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026, valor que não corresponde, necessariamente, a dinheiro comprovadamente lavado.

A defesa de Marcus Amim informou que não se manifestará antes de ter acesso aos autos. A defesa de Márcio Canella afirmou que não comentaria o caso por ainda não ter acesso à decisão que determinou a prisão; as demais defesas foram procuradas, segundo o veículo originador.

Fonte: g1

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