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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

PF aponta articulação de Canella para nomear Amim na Polícia Civil do RJ

PF afirma que Canella articulou mudança na lei para viabilizar a nomeação de Marcus Amim ao comando da Polícia Civil do RJ.

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A Polícia Federal afirma que Márcio Canella articulou uma mudança na legislação estadual para viabilizar a nomeação do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes ao comando da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os dois foram presos nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a representação policial que embasou a operação, Canella teria atuado primeiro para indicar Amim à presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e, depois, à Secretaria Estadual de Polícia Civil. A PF sustenta que o deputado articulou na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a flexibilização dos requisitos de tempo de carreira exigidos para o cargo.

A alteração ocorreu em 2023, quando Amim deixou o Detran-RJ para assumir a Secretaria de Polícia Civil. Naquele momento, ele tinha 21 anos de atuação na instituição, mas 12 anos como delegado. A legislação anterior exigia tempo mínimo na carreira de delegado; com a mudança, passou a ser considerado o período total de serviço na Polícia Civil.

Para os investigadores, a influência sobre nomeações fazia parte da atuação atribuída a Canella como articulador político de uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. A Procuradoria-Geral da República também mencionou a articulação para a indicação de Amim e a mudança legislativa em manifestação no inquérito.

Amim é investigado ainda por suposta proteção policial às atividades do grupo e por possíveis vínculos econômicos ocultos com integrantes da organização. A PF apura pagamentos de R$ 1,821 milhão à empresa MAMIM Consultoria, ligada ao delegado e à mulher dele, feitos pela ADM Oil Prestadora de Serviços para Postos entre abril de 2024 e maio de 2026. Segundo os investigadores, o contrato pode ter sido usado para disfarçar pagamentos por proteção institucional.

A investigação também apura uma contratação do Detran-RJ, durante a gestão de Amim, da empresa Opção Ativa, responsável por serviços de reboque. A PF considera que a dispensa de licitação pode ter favorecido a organização, já que a empresa pertence ao irmão de um homem apontado como afilhado político e preposto de Canella.

A oitava fase da Operação Unha e Carne cumpriu seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Além de Canella e Amim, quatro policiais civis foram presos. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas.

De acordo com a PF, a organização teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026, conforme relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os investigados podem responder, conforme a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.

As defesas de Canella e Amim informaram que não se manifestariam antes de ter acesso aos autos. As suspeitas ainda são investigadas e não representam condenação.

Fonte: g1

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