Pacientes com câncer relatam estar há meses sem acompanhamento médico e, em alguns casos, sem quimioterapia no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após a saída de oncologistas da unidade.
Segundo os relatos, consultas foram canceladas sucessivamente e os pacientes ficaram sem previsão para retomar o atendimento. José Luiz Garcia de Andrade informou que teve consultas desmarcadas depois que os médicos responsáveis deixaram o hospital e que recebeu a orientação de aguardar a contratação de novos especialistas.
Nazaré Falcão, que faz tratamento na unidade há quatro anos, afirma estar há três meses sem médico e sem receber quimioterapia. Áurea Cristina também relata três consultas canceladas e teme ficar sem a medicação prescrita por um profissional que não trabalha mais no hospital.
A Prefeitura do Rio reconheceu dificuldades para preencher todas as vagas de oncologia. O município informou que abriu processos seletivos para contratar oncologistas clínicos e um onco-hematologista, com jornadas de 12 horas.
Fontes ouvidas pela reportagem apontaram a terceirização dos serviços como um dos fatores relacionados à falta de profissionais. Segundo esses relatos, vagas vinculadas a organizações sociais enfrentam dificuldades para atrair médicos e apresentam maior rotatividade.
O Hospital do Andaraí foi municipalizado há dois anos, quando a Prefeitura do Rio recebeu R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais. Entre as metas anunciadas estavam a contratação de 800 trabalhadores e a ampliação da capacidade para 167 mil atendimentos anuais.
A unidade também ainda não atingiu a previsão de 450 leitos. Dados do Censo Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde indicam que o hospital tinha 304 leitos em dezembro de 2024 e atualmente dispõe de 358, dos quais 42 estão impedidos para uso.
Em nota, a Prefeitura afirmou ter contratado mais de quatro mil profissionais desde que assumiu a gestão e reaberto serviços que estavam fechados. A Secretaria Municipal de Saúde informou ainda que os pacientes citados na reportagem terão atendimento agendado para a semana seguinte e que novos leitos serão abertos durante a reestruturação do hospital.
Fonte: g1