Organizações da sociedade civil divulgaram nesta sexta-feira (16 de outubro de 2026) uma carta aberta que pede a autoridades brasileiras e a mecanismos internacionais de direitos humanos o monitoramento da atuação de empresas de tecnologia nas eleições do Brasil.
Produzido pela ONG CTRL+Z, o manifesto aponta supostas violações de regras eleitorais por Meta, Google, TikTok, OpenAI, Kwai e X. A carta é aberta à adesão de outras entidades e já reúne organizações como People vs. Big Tech, Greenpeace International, Artigo 19, Foxglove, Amazon Watch e Observatório da Mineração.
À Justiça Eleitoral, as organizações solicitam o combate à moderação considerada arbitrária, à interferência estrangeira em anúncios pagos e o uso das ferramentas de fiscalização e punição previstas na legislação eleitoral.
O documento também pede que órgãos das Nações Unidas e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos acompanhem as eleições, avaliem a conformidade das plataformas com padrões internacionais e cobrem das empresas explicações sobre sua atuação no processo eleitoral brasileiro.
Entre os problemas citados estão a recomendação de candidatos, a circulação de deepfakes sem identificação adequada, o suposto financiamento estrangeiro de ataques e a veiculação irregular de anúncios e recomendações de vídeos durante o período de silêncio eleitoral. A carta também menciona restrições a perfis, moderação de conteúdo e possível descumprimento de compromissos de conformidade eleitoral.
A CTRL+Z informou nesta semana ter reunido mais de 1,2 mil relatos de censura, banimentos, restrições e queda de alcance em contas que publicaram conteúdos sobre as eleições. O levantamento não comprova, por si só, a responsabilidade das plataformas pelos episódios relatados.
O texto cita ainda reclamações relacionadas à Meta AI, ferramenta da Meta integrada ao WhatsApp. Segundo o documento, a ferramenta permitia criar imagens para Flávio Bolsonaro (PL), mas recusava pedidos semelhantes envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na sexta-feira, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por suposta interferência eleitoral. A Meta afirmou que incidentes técnicos recentes afetaram campanhas presidenciais, negou interferência nas eleições de 2026 e disse ter corrigido o problema.
A divulgação da carta ocorreu um dia após uma reunião entre representantes da Meta e a cúpula do TSE. De acordo com a empresa, foram apresentadas à Corte informações detalhadas e respaldadas por dados técnicos sobre os episódios identificados durante a eleição.
Fonte: O Globo