A fotojornalista americana Heidi Levine, do jornal Washington Post, foi agredida por colonos israelenses nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, enquanto cobria ataques contra agricultores palestinos durante a colheita de azeitonas na Cisjordânia ocupada.
O ataque ocorreu nas proximidades das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah, nos arredores de Ramallah. Levine, de 64 anos, afirmou que mais de 50 homens mascarados, armados com porretes e possivelmente barras de ferro, a atacaram por mais de dez minutos.
Levada a um hospital em Ramallah, a fotógrafa disse que os agressores roubaram seu passaporte, celular, carteira e equipamentos. Segundo ela, o ataque terminou quando colegas palestinos intervieram.
Levine afirmou que usava capacete e colete à prova de balas e que se identificou como jornalista durante a agressão. O Washington Post informou que ela estava claramente identificada com um colete com a palavra “Imprensa” na frente e nas costas.
O Exército israelense disse ter recebido um alerta sobre um “confronto violento” e confirmou que uma jornalista ficou ferida. Segundo o jornal, a porta-voz internacional da instituição, tenente-coronel Ariella Mazor, afirmou que os soldados tentavam dispersar uma multidão grande e violenta e não teriam visto a agressão em uma análise inicial.
O Exército e a polícia israelense abriram investigações separadas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que os fatos permanecem pouco claros e sob investigação, além de citar versões segundo as quais centenas de árabes e ativistas de extrema esquerda teriam confrontado cerca de 40 jovens israelenses.
Na mesma sexta-feira, em Abu Falah, ao menos 80 colonos, alguns armados ou portando porretes, teriam tentado impedir a colheita e lançado pedras contra agricultores palestinos. O Crescente Vermelho Palestino informou que pelo menos seis pessoas ficaram feridas; horas antes, perto de Turmus Ayya, três carros foram queimados após ataques contra palestinos.
De acordo com o grupo israelense de direitos humanos Yesh Din, ocorreram ao menos 170 ataques desde 27 de setembro, quando começou a colheita. Autoridades palestinas afirmam que quatro palestinos foram mortos e mais de 100 ficaram feridos no último mês, além de milhares de árvores danificadas.
Jornalistas também vêm sendo alvo de ataques. Em 6 de outubro, o fotógrafo Jaafar Ashtiyeh, da agência AFP, sofreu contusões na cabeça e no tronco após ser agredido perto da aldeia de Aqraba, enquanto acompanhava a colheita com o fotógrafo John Wessels.
A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel classificou o caso envolvendo Levine como o mais recente de uma série de ataques violentos contra jornalistas e civis na Cisjordânia e afirmou que seus apelos por medidas contra a violência não foram atendidos pelas autoridades.
Fonte: O Globo