A Prefeitura de São Paulo publicou na terça-feira (13) um protocolo que estabelece regras para o atendimento médico em corridas de rua na capital. As normas determinam tempos máximos para o primeiro atendimento, distribuição de desfibriladores, equipes mínimas e medidas específicas para situações de calor extremo.
O Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua entrará em vigor em 12 de dezembro. A classificação de risco dos eventos considerará fatores como número de participantes, distância, temperatura, dificuldade de acesso para ambulâncias, perfil dos corredores e histórico de ocorrências.
As provas serão divididas em quatro níveis: baixo, médio, alto e risco especial. O primeiro atendimento deverá ocorrer em até oito minutos nos eventos de baixo risco, seis minutos nos de médio risco, cinco minutos nos de alto risco e três minutos nas competições classificadas como de risco especial.
O documento determina que nenhum trecho do percurso fique sem cobertura assistencial. A distância máxima entre os recursos médicos será de dois quilômetros nas provas de baixo risco e cairá gradualmente até 800 metros nos eventos de risco especial.
Todas as corridas deverão contar com um posto médico principal na chegada. Nas provas de 10 quilômetros ou mais, também será obrigatório um posto médico e uma equipe móvel com desfibrilador externo automático no último quarto do percurso.
A estrutura deverá incluir equipamentos para estabilização e observação, como oxigênio, desfibrilador, monitor multiparamétrico, aspirador, materiais de imobilização e medicamentos de urgência, entre eles adrenalina. A quantidade de médicos, enfermeiros, técnicos, socorristas e ambulâncias aumentará conforme o nível de risco e o número de participantes.
O protocolo prevê medidas adicionais para temperaturas elevadas. Acima de 34°C, os organizadores deverão revisar o plano de atendimento e avaliar a necessidade de atrasar a largada; quando a temperatura superar 37°C ou houver combinação de fatores ambientais de risco extremo, a prova poderá ser suspensa, adiada ou cancelada.
A publicação ocorreu 79 dias após a morte do publicitário e corredor amador Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca depois de concluir os 21 quilômetros da SP City Marathon, em 26 de julho. Segundo relato do médico Miguel Carvalho Santacreu, que participava da prova, os primeiros socorros foram realizados por médicos corredores e a ambulância da organização chegou cerca de dez minutos depois, sem desfibrilador externo automático; o equipamento teria chegado posteriormente.
A Secretaria Municipal da Saúde ficará responsável pela fiscalização por meio de uma Comissão Técnica Permanente. O órgão poderá verificar a estrutura antes e durante as provas, analisar ocorrências sentinela e exigir relatórios dos organizadores, que terão até dez dias úteis após cada corrida para informar atendimentos, remoções, tempos de resposta, uso de desfibriladores e eventuais óbitos.
Em caso de descumprimento, poderão ser determinadas adequações imediatas e, quando houver risco iminente à saúde pública, a suspensão da autorização sanitária do evento.
Fonte: G1