A Prefeitura de São Paulo publicou um protocolo que estabelece regras para o atendimento médico em corridas de rua na capital. O documento prevê primeiro atendimento em até três minutos em eventos de risco especial, distribuição de desfibriladores, equipes dimensionadas conforme a prova e medidas específicas para calor extremo.
Publicado no Diário Oficial do Município na terça-feira (13), o protocolo entrará em vigor em 12 de dezembro. A medida foi anunciada 79 dias após a morte do publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca depois de concluir a meia-maratona da SP City Marathon, em 26 de julho.
O texto cria uma classificação municipal de risco baseada em fatores como número de participantes, distância, temperatura, dificuldade de acesso para ambulâncias, perfil dos corredores e histórico de ocorrências. As provas serão classificadas como de baixo, médio, alto risco ou risco especial, conforme a pontuação obtida.
O tempo máximo para o primeiro atendimento será de oito minutos em eventos de baixo risco, seis minutos nos de médio risco, cinco minutos nos de alto risco e três minutos nos de risco especial. Nenhum trecho do percurso poderá ficar sem cobertura, e a distância entre recursos médicos deverá variar de 2 quilômetros, nas provas de baixo risco, a 800 metros, nas de risco especial.
As corridas deverão manter um posto médico principal na chegada. Provas de 10 quilômetros ou mais também precisarão contar com posto médico e equipe móvel equipada com desfibrilador externo automático no último quarto do trajeto, além de equipamentos para estabilização, oxigênio, medicamentos de urgência, incluindo adrenalina, e materiais de imobilização.
A quantidade mínima de profissionais aumentará conforme o risco e o número de participantes. Em eventos de baixo risco, estão previstos ao menos dois médicos, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem, seis socorristas e duas equipes móveis; nos de risco especial, serão oito médicos, dez enfermeiros, 20 técnicos, 30 socorristas e oito equipes móveis.
O protocolo também determina o monitoramento de temperatura, umidade, índice de calor, radiação solar, vento e previsão meteorológica. Acima de 34°C, os organizadores deverão revisar o plano médico e avaliar o adiamento da largada; quando a temperatura superar 37°C ou houver risco ambiental extremo, a comissão técnica poderá recomendar suspensão, adiamento ou cancelamento da prova.
A Secretaria Municipal da Saúde ficará responsável pela fiscalização e poderá verificar a estrutura antes, durante e depois das corridas. Mortes, paradas cardiorrespiratórias, uso de desfibriladores, falhas operacionais e atrasos no atendimento serão tratados como eventos sentinela e deverão passar por análise técnica.
Segundo relato do médico Miguel Carvalho Santacreu, que participava da SP City Marathon, os primeiros socorros a Barreto foram prestados por médicos que corriam a prova. Ele afirmou que uma ambulância da organização chegou cerca de dez minutos depois, sem desfibrilador, e que o equipamento teria chegado aproximadamente 15 minutos após o início do atendimento.
Fonte: G1