A fotojornalista americana Heidi Levine, do Washington Post, foi agredida por colonos israelenses na sexta-feira (16 de outubro), enquanto acompanhava ataques contra agricultores palestinos durante a colheita de azeitonas na Cisjordânia ocupada.
Levine, de 64 anos, estava nas proximidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah, nos arredores de Ramallah, quando, segundo seu relato, foi cercada por mais de 50 homens mascarados armados com porretes e possivelmente barras de ferro. Ela afirmou que o espancamento durou mais de dez minutos e que os agressores levaram seu passaporte, celular, carteira e equipamento fotográfico.
Em um hospital de Ramallah, a jornalista disse que se identificou como repórter e tentou acalmar o grupo ao mencionar que era mãe. O ataque teria terminado após a intervenção de colegas palestinos. Levine afirmou que usava capacete e colete à prova de balas e que continuou sendo chutada mesmo depois de cair.
O Washington Post informou que a profissional estava identificada como jornalista e usava um colete com a palavra “Imprensa” na frente e nas costas. O Exército israelense declarou que interveio após receber um alerta sobre um confronto violento e confirmou que uma jornalista ficou ferida.
Segundo o jornal, a tenente-coronel Ariella Mazor, porta-voz internacional do Exército, afirmou que os soldados tentavam dispersar uma multidão considerada grande e violenta e que, em uma análise inicial, não viram a agressão. O Exército e a polícia israelense abriram investigações separadas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que os fatos ainda não estavam claros e permaneciam sob investigação. Em uma publicação no X, citou versões segundo as quais centenas de árabes e ativistas de extrema esquerda teriam confrontado cerca de 40 jovens israelenses, e afirmou que não permitiria que incidentes contestados fossem usados para demonizar moradores judeus da Cisjordânia.
A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel classificou o episódio como parte de uma série de ataques de colonos contra jornalistas e civis na Cisjordânia ocupada. A entidade afirmou que seus apelos por medidas contra a violência foram ignorados pelas autoridades israelenses.
Na mesma sexta-feira, ao menos 80 colonos se reuniram em Abu Falah para impedir a colheita, segundo o relato. Alguns carregavam armas ou porretes e lançaram pedras com estilingues contra agricultores palestinos diante de veículos militares israelenses. O Crescente Vermelho Palestino informou que ao menos seis pessoas ficaram feridas na cidade.
O grupo israelense de direitos humanos Yesh Din registrou ao menos 170 ataques desde 27 de setembro, quando começou a colheita. Autoridades palestinas afirmam que quatro palestinos foram mortos e mais de cem ficaram feridos no último mês, além de milhares de oliveiras danificadas.
Jornalistas também foram alvo de agressões recentes. Em 6 de outubro, o fotógrafo Jaafar Ashtiyeh, da agência AFP, sofreu ferimentos na cabeça e no tronco durante um ataque de colonos perto de Aqraba, segundo a agência.
Fonte: O Globo