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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Irmãos policiais presos pela PF já haviam sido alvo da Operação Guilhotina

Irmãos policiais presos pela PF na Operação Unha e Carne já haviam sido detidos na Operação Guilhotina, em 2011.

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Os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes foram presos nesta quinta-feira (15), no Rio de Janeiro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Os dois já haviam sido detidos em 2011, na Operação Guilhotina, que investigou suspeitas de corrupção policial e vínculos com milícias.

Christiano é o atual secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele chegou ao cargo após a eleição de Márcio Canella para a Prefeitura, em 2024; Canella também foi preso na nova operação.

Segundo as investigações da Operação Guilhotina, os irmãos integrariam um grupo formado por policiais civis e militares suspeito de desviar armas, munições e bens apreendidos em operações. A apuração também apontou supostas ligações com uma milícia que atuava na Favela Roquete Pinto, em Ramos.

A organização era investigada por explorar serviços clandestinos, cobrar taxas de moradores e comerciantes e controlar a venda de gás e a distribuição ilegal de televisão por assinatura. Relatórios mencionados na investigação também registraram suspeitas de participação em homicídios e ocultação de cadáveres.

Interceptações telefônicas analisadas pela Polícia Federal indicaram que integrantes do grupo discutiam a apropriação de objetos encontrados durante operações no Complexo do Alemão, incluindo eletrodomésticos, televisores e calçados.

Os irmãos são filhos do policial militar reformado Ricardo Afonso Fernandes, conhecido como Afonsinho. De acordo com a Polícia Federal, ele seria um dos chefes da milícia investigada, ao lado do então subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira.

O então chefe da Polícia Civil Allan Turnowski também foi indiciado pela PF sob suspeita de ter vazado informações ao grupo. Conforme a investigação, ele teria telefonado cinco vezes para Christiano para alertá-lo de que era monitorado por policiais federais. Turnowski foi posteriormente demitido pelo governo estadual.

Os irmãos foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por peculato, formação de quadrilha e comércio ilegal de armas de fogo. Eles chegaram a ser condenados em primeira instância e expulsos da Polícia Civil, mas, em 2018, o então governador Luiz Fernando Pezão anulou administrativamente a demissão.

A anulação ocorreu após pareceres que apontaram o reconhecimento da prescrição dos crimes atribuídos aos policiais. A medida contrariou decisão administrativa anterior e conclusões da Corregedoria-Geral Unificada, segundo documentos citados na reportagem.

Em 2017, o juiz Marcelo Oliveira da Silva, da 32ª Vara Criminal da Capital, absolveu Carlos Oliveira. Ele é atualmente subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Após deixar a prisão, Christiano passou a trabalhar com o delegado Marcus Amim, também preso na Operação Unha e Carne. Ele foi chefe de investigação de Amim em diferentes delegacias e posteriormente atuou como assessor da Secretaria de Polícia Civil.

A reportagem informou que procurou os citados para manifestação.

Fonte: g1

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