Ações de varejistas e empresas de serviços recuaram na Bolsa brasileira nesta quinta-feira (15), diante da perspectiva de aumento de custos operacionais com o fim da escala 6x1 e a limitação da jornada a 40 horas semanais.
Analistas avaliam que a redução gradual da jornada, sem corte salarial, pode pressionar as margens de setores intensivos em mão de obra, como supermercados, redes de vestuário, alimentação, turismo, lazer e serviços domésticos. A mudança também pode reduzir o ritmo de recuperação dessas empresas em um eventual cenário de queda de juros.
Para Lucca Silva, gestor de ações da Persevera Asset, supermercados e redes de vestuário estão entre os segmentos mais expostos porque têm maior participação das despesas com pessoal nos custos. Segundo a corretora Monte Bravo, a intensidade do impacto dependerá da adaptação das empresas e de eventuais ajustes regulatórios.
Silva estima que, se a folha representar 10% das despesas de uma companhia, um aumento de 10% nesse custo poderá pressionar as margens de lucro em até dois pontos percentuais. A avaliação considera que mais folgas elevam o custo por hora trabalhada, mesmo com a manutenção do salário.
Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Rena, afirmou em relatório que a redução da escala pode provocar um choque equivalente a 6% de aumento real do salário mínimo nos próximos 14 meses, com possível repasse para os preços. Para ela, serviços domésticos, alimentação, turismo, lazer e planos de saúde estão entre os setores mais afetados.
Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, disse que a necessidade de ampliar as equipes para cobrir o maior número de folgas também tende a elevar os gastos. Ele citou supermercados, que precisam manter funcionários em áreas como caixas, reposição, açougue, padaria, logística e atendimento durante toda a semana.
Na avaliação de Chinchila, SmartFit, Raia Drogasil, C&A, Renner, Grupo Mateus e Assaí estão entre as companhias cujas ações podem sofrer maior impacto. O analista ponderou que o efeito não será uniforme nem implica necessariamente perda de rentabilidade para todas as empresas.
Na quinta-feira (15), a MRV recuava 6%, enquanto Magazine Luiza caía 4,7%, C&A, 3,55%, SmartFit, 3,4%, e Assaí, 3%. Analistas também citaram uma pesquisa Quaest sobre o cenário de segundo turno e a aversão ao risco no exterior como fatores que contribuíram para a queda das ações.
Fonte: O Globo