Imagens e conversas analisadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam uma possível ligação do terceiro-sargento da Polícia Militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro com integrantes do Comando Vermelho (CV). Morto a tiros em julho, o policial aparece em registros ao lado de um homem identificado pelos investigadores como liderança da facção, além de vídeos em que dança com armas e faz referência ao grupo criminoso.
Segundo a investigação, Yuri teria oferecido armas e carregadores a Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) como integrante da hierarquia do CV no Complexo da Penha. Em uma fotografia, o sargento aparece ao lado de Paulista; em outra, é visto com um fuzil no colo.
Os investigadores também relatam ter encontrado um vídeo em que Yuri segura uma pistola e grita uma referência à facção. A polícia afirma ainda que há registros do policial dançando funk com armas. A identificação do fuzil como pertencente à família AK é apresentada no relatório como hipótese, enquanto a localização no Complexo da Penha teria sido apontada a partir de metadados do arquivo.
Yuri era lotado no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele foi preso em outubro de 2023, quando transportava mais de 100 quilos de cocaína ao lado de Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko, na Avenida Brasil.
De acordo com a DRE, mensagens analisadas também indicam que Yuri teria repassado informações sobre patrulhamento, circulação de viaturas e saída de blindados do batalhão a Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels e apontado como liderança do tráfico em comunidades de São João de Meriti.
A operação realizada na terça-feira (13) foi coordenada pela DRE, com participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio, e da Corregedoria da Polícia Militar. A ação investigou o repasse de informações privilegiadas e a negociação clandestina de armas e munições destinadas ao CV.
Dois homens foram presos durante a operação, segundo as autoridades. Um deles, identificado como Leonardo Aguiar, conhecido como Da Nike, foi localizado em Maricá; outro mandado foi cumprido contra um homem chamado Serrão, que já estava preso. Um terceiro homem foi detido em flagrante em Del Castilho com munições, rádios de comunicação e uma motocicleta roubada.
Entre os alvos também estava o cabo da PM Erick da Silva Lobato, lotado no batalhão de São João de Meriti. A investigação apura suspeitas de que ele mantivesse ligação com chefes do CV e negociasse armas e drogas. Yuri foi assassinado a tiros quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá; o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que considera, entre as hipóteses, uma possível execução pelo próprio CV.
Fonte: g1