Mensagens e imagens encontradas no celular do terceiro-sargento da Polícia Militar Yuri Luiz Desirati Ribeiro são usadas pela polícia para investigar uma suposta ligação do agente com o Comando Vermelho. O material embasou uma operação realizada nesta terça-feira (13) no Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, Ribeiro, que era lotado no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, ostentava dinheiro, barcos, jet skis, bebidas e charutos em fotos e vídeos. Em conversas, porém, ele teria relatado dificuldades financeiras e pedido dinheiro a um homem apontado como liderança da facção no Complexo da Penha.
De acordo com os investigadores, o policial chegou a solicitar R$ 500 para comprar comida e afirmou que não tinha dinheiro para abastecer o veículo usado no trabalho. A polícia atribui as mensagens a Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, que era alvo da operação e permanecia foragido na última atualização divulgada.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Corregedoria da Polícia Militar. Foram expedidos sete mandados de prisão.
Ribeiro havia sido preso em flagrante em outubro de 2023 dentro de um caminhão que transportava mais de 150 quilos de cocaína na Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré. A investigação atual também apura conversas sobre alertas de operações policiais, transporte de drogas e negociação de armas.
Outro alvo é o cabo da PM Erick da Silva Lobato, também lotado no batalhão de São João de Meriti. Segundo os investigadores, ele teria enviado a Ribeiro imagens de carregadores e oferecido munição; como não foi localizado em sua casa nem na unidade policial, passou a ser considerado foragido.
Durante a operação, os agentes prenderam em Maricá Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike. A polícia afirma que ele atuava na segurança de territórios do Comando Vermelho na Baixada Fluminense.
Yuri Ribeiro foi morto a tiros em 12 de julho, quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, na Zona Oeste do Rio. A Delegacia de Homicídios investiga o caso, e uma das linhas apontadas é a de que o policial tenha sido assassinado pela própria facção, hipótese que ainda não foi confirmada judicialmente.
Fonte: g1