O senador Flávio Bolsonaro (PL) reviu decisões de campanha nos últimos dias após a mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas ruas e nas redes sociais, em meio à disputa do segundo turno das eleições de 2026.
Em dois dias, Flávio anunciou que votará a favor do fim da escala 6x1, depois de meses de críticas à proposta, e voltou atrás na decisão de não participar do debate da Band. Aliados passaram a cobrar que o candidato deixasse o chamado jogo parado e adotasse uma postura mais ativa.
Apesar de ainda aparecer à frente de Lula em levantamentos internos, integrantes da campanha admitem reservadamente que a reação do petismo provocou preocupação. A equipe passou a atuar de forma mais reativa, mas avalia que não é necessário mudar outros posicionamentos do candidato.
Entre as preocupações estão as acusações de que Flávio poderia cortar benefícios sociais caso fosse eleito. O senador nega que pretenda acabar com programas destinados à população de baixa renda ou aos aposentados, mas aliados avaliam que o tema pode afetar a percepção dos eleitores.
A decisão sobre a escala 6x1 contrariou declarações anteriores de Flávio e a estratégia de parlamentares do PL no Senado, que apostavam em um calendário apertado para adiar a votação da proposta para depois da eleição. O senador havia classificado a medida como eleitoreira e alertado para o risco de desemprego.
Em conversas reservadas com empresários durante uma agenda em São Paulo, Flávio sinalizou que, se eleito, poderá discutir ajustes nas regras com o Congresso, conforme os efeitos sobre o emprego e a atividade econômica. Publicamente, defendeu que o governo assuma os custos adicionais da redução da jornada, sem detalhar o financiamento.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma alternativa à proposta de emenda à Constituição, com maior flexibilização das jornadas e remuneração proporcional às horas trabalhadas. A equipe também avalia projetos específicos para setores com mais dificuldade de adaptação.
Flávio havia anunciado que não participaria do debate da Band, marcado para domingo, mas reconsiderou após aliados avaliarem que seria arriscado deixar Lula ocupar sozinho o espaço na televisão. Ao confirmar presença, o senador disse que a recusa inicial era uma estratégia para pressionar o adversário a aceitar o convite.
A campanha também passou a cobrar maior participação de aliados reeleitos no primeiro turno. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), acompanha Flávio nesta quarta-feira em Porto Alegre, onde estão previstas uma visita ao bairro Sarandi, atingido pelas enchentes de 2024, e um comício.
A intensificação das viagens ocorre após uma primeira semana de segundo turno concentrada em Brasília, com negociações de apoios partidários e discussões sobre a composição de um eventual governo. As articulações garantiram a adesão de União Brasil, PP e Podemos, mas aliados reclamaram que a distribuição de ministérios ocupava espaço excessivo na campanha.
Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira também são considerados importantes para mobilizar o eleitorado bolsonarista. Nas redes sociais, a campanha aposta na chamada Tropa de Flávio, estrutura que distribui conteúdos, convoca eleitores e organiza atividades presenciais.
A mobilização disputa espaço com o Exército do Lula, canal de WhatsApp administrado pelo deputado André Janones (Avante-MG), que reúne 4 milhões de seguidores e foi alvo de uma ação apresentada pela defesa de Flávio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No PL, a preocupação é que a vantagem do primeiro turno, quando Flávio teve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, mantenha os apoiadores desmobilizados.
Fonte: O Globo