Estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem), sediado na Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que a definição antecipada das eleições para governador pode aumentar a abstenção e reduzir o ritmo de crescimento de candidatos à Presidência em algumas regiões.
A pesquisa analisou disputas eleitorais entre 2002 e 2022 e identificou dois efeitos. O primeiro é o aumento da abstenção nacional, estimado em 1 ponto percentual, com impacto maior no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.
O segundo afeta a conversão de votos válidos. No Sudeste, o presidenciável alinhado ao governador eleito registra desaceleração entre 1,4 e 3,3 pontos percentuais no crescimento entre os turnos. No Centro-Oeste, a perda varia de 2,9 a 3,9 pontos percentuais.
Segundo a análise, o fim da disputa estadual não altera a proporção de votos válidos dos candidatos à Presidência no Norte e no Nordeste, apesar do aumento da abstenção nessas regiões.
O resultado impõe desafios diferentes a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2026. No Sudeste, onde apenas o Espírito Santo terá nova disputa estadual, Flávio precisará manter a mobilização em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, enquanto Lula enfrenta o risco de maior abstenção no Norte e no Nordeste.
O artigo é assinado por Fábio Vasconcellos, cientista político, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e da PUC-Rio e pesquisador do INCT ReDem/UFPR.
Fonte: O Globo