O canal de WhatsApp Exército do Lula saiu do ar na noite de 13 de outubro de 2026, após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, estabelecer prazo de 48 horas para que a ferramenta fosse registrada na Justiça Eleitoral como endereço oficial de comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Criado pela campanha presidencial e administrado pelo deputado federal André Janones, o canal reúne 4,2 milhões de seguidores. Segundo Nunes Marques, o reconhecimento oficial vincularia eventuais irregularidades no uso da ferramenta à coligação do presidente.
A equipe de Flávio Bolsonaro (PL) acionou a Justiça Eleitoral contra o canal, sob alegação de divulgação de notícias falsas. O caso passou à relatoria do ministro Cueva, que havia determinado a retomada do serviço na segunda-feira, 12 de outubro.
Nunes Marques invalidou a decisão de Cueva nesta terça-feira e afirmou que o corregedor teria interferido em atribuições da Presidência do TSE. O presidente da Corte também questionou o fato de o relator não ter aguardado uma manifestação do plenário.
Em sua decisão, Nunes Marques declarou que não existe instrumento jurídico que permita à Corregedoria suspender os efeitos de uma determinação da Presidência. Especialistas em direito eleitoral, segundo a reportagem, avaliaram que a retirada de todo o canal, em vez de publicações específicas, poderia caracterizar censura prévia.
O episódio provocou divergências dentro do TSE sobre os limites das atribuições da Presidência e da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral. Cueva voltou a defender que o plenário analise o caso, enquanto ministros questionaram a manutenção da disputa em decisões individuais.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que a legenda e Janones pediram ao TSE a desvinculação entre a campanha e o canal. Segundo ele, a iniciativa deve permanecer no ar como instrumento autônomo de organização da sociedade.
O presidente Lula também criticou as decisões contra o canal durante um ato de campanha. Janones, por sua vez, afirmou que a suspensão poderia coincidir com a votação sobre o fim da escala 6x1 e disse acreditar que a medida seria revertida pela Justiça.
Fonte: O Globo