A reunião entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, não deve produzir medidas práticas antes do segundo turno das eleições no caso que apura possíveis relações de ministros da Corte com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em ofício de 2 de outubro, Fachin havia solicitado que a PF apresentasse relatórios sobre descobertas da investigação das fraudes no banco envolvendo magistrados. A polícia, porém, não deve entregar esses documentos neste momento.
Segundo interlocutores de Andrei Rodrigues, o diretor-geral pretende pedir orientações a Fachin antes de encaminhar qualquer relatório sobre ministros. A consulta deverá tratar dos procedimentos a serem adotados e do tipo de documento que deve ser enviado ao STF.
O pedido também é visto internamente como uma forma de evitar que informações com potencial de impacto eleitoral sejam divulgadas antes do segundo turno. A atuação de Andrei tem sido questionada dentro e fora da PF por sua relação com Alexandre de Moraes e por sua participação em um evento promovido por Vorcaro em Londres.
Na semana passada, uma reunião da cúpula da PF com Moraes provocou tensão no STF e levou o ministro Luiz Fux a pedir acesso à íntegra do inquérito das fake news. Fachin negou o pedido, afirmando que ainda analisa os 104 procedimentos reunidos no processo e define o destino de cada um antes de retirar o sigilo.
O inquérito passou à relatoria de Fachin em 9 de setembro. Desde então, um juiz auxiliar designado pelo ministro avalia os desdobramentos da investigação em um trabalho interno chamado de saneamento.
Fonte: O Globo