Uma operação realizada nesta terça-feira (13) investiga a suposta participação de policiais militares em atividades do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. A apuração aponta que o terceiro-sargento Yuri Luiz Desirati Ribeiro, morto em julho, ostentava dinheiro, barcos e jet skis, mas também pedia ajuda financeira a um homem apontado como liderança da facção.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), com participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, e da Corregedoria da Polícia Militar. Foram expedidos sete mandados de prisão.
Segundo os investigadores, mensagens encontradas no celular de Yuri mostram pedidos de dinheiro a um contato tratado como “chefe”. Em uma delas, de outubro de 2024, o policial afirmou que não tinha recursos para comprar comida e nem para abastecer o veículo usado no trabalho.
A polícia identificou o destinatário como Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho no estado e ligado à atuação da facção no Complexo da Penha. Ele foi alvo da operação, mas permanecia foragido na última atualização divulgada.
Yuri havia sido preso em flagrante em outubro de 2023, na Avenida Brasil, transportando mais de 150 quilos de cocaína em um caminhão. De acordo com a investigação, esse caso ajudou a reunir elementos usados na apuração atual.
O sargento foi morto em 12 de julho, atingido por pelo menos 23 disparos quando chegava ao condomínio onde morava, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A Delegacia de Homicídios investiga o assassinato, e uma das suspeitas é que ele tenha sido morto por integrantes da própria facção.
Outro alvo da operação é o cabo da PM Erick da Silva Lobato, também lotado no batalhão de São João de Meriti. Segundo os investigadores, ele teria enviado imagens de carregadores e oferecido munição a Yuri; procurado em sua casa e no batalhão, não foi localizado e é considerado foragido.
A operação também prendeu em Maricá Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike. Conforme a investigação, ele seria responsável pela segurança de áreas controladas pelo Comando Vermelho na Baixada Fluminense.
Fonte: g1