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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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SEGURANÇA

Contas falsas para motoristas de aplicativo são vendidas por até R$ 350 no Rio

Vendedores oferecem contas falsas para motoristas de aplicativo por até R$ 350 e prometem burlar o reconhecimento facial das plataformas.

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Vendedores oferecem cadastros falsos para motoristas de aplicativos de transporte por valores de até R$ 350 em grupos de mensagens, segundo reportagem exibida pelo RJ1, da TV Globo, no Rio de Janeiro. As ofertas incluem perfis para pessoas sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), menores de idade e indivíduos com antecedentes criminais.

Os anunciantes também prometem driblar os sistemas de reconhecimento facial das plataformas. Para criar as contas, eles pedem selfie, nome para o cadastro e documentos do veículo, além de oferecerem documentos veiculares e placas falsas.

Nos grupos acompanhados pela reportagem, os cadastros para carros custam entre R$ 250 e R$ 350, enquanto os de motos são anunciados por R$ 175. Os vendedores exigem parte do pagamento antecipadamente e, em alguns casos, prometem garantia de três meses e reativação da conta se ela for bloqueada.

O esquema pode permitir que pessoas sem habilitação ou que não atendem às exigências das plataformas realizem viagens usando perfis registrados em nome de terceiros. As empresas exigem, entre outros requisitos, CNH definitiva compatível com a atividade remunerada, documentos do veículo e verificações de identidade.

Em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, a família de Maycon Batista da Silva, de 25 anos, aguarda há um ano e cinco meses por uma solução judicial relacionada à morte do jovem. Maycon estava em um carro de aplicativo que bateu em um ônibus; segundo a investigação da Polícia Civil, o motorista, Caio Teles Bevenuto Bretas, dirigia sem habilitação e usava uma conta cadastrada em nome de outra pessoa.

Caio foi indiciado por lesão corporal em acidente de trânsito, uso de conta falsa no aplicativo e direção sem habilitação. De acordo com o Tribunal de Justiça, a ação está suspensa porque ele não foi localizado nos endereços procurados, não se apresentou à Justiça e não constituiu advogado.

A investigação da polícia identificou a pessoa que teria vendido o perfil usado pelo motorista e apontou que a conta estava registrada em nome de um homem de São Paulo. A família de Maycon cobra a responsabilização dos envolvidos.

Além dos perfis, os vendedores anunciam documentos de veículos por R$ 50 e placas falsas por R$ 250. Segundo a reportagem, um dos integrantes dos grupos afirmou que conseguiria entregar uma placa em menos de uma hora.

A delegada Camila Pegorim, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, afirmou que a polícia monitora os grupos, mas enfrenta dificuldades para acompanhar todos os canais. Os contatos e as conversas obtidos pela reportagem foram encaminhados à Polícia Civil, sem que os jornalistas concluíssem qualquer negociação.

A Meta informou que o WhatsApp não permite o uso do aplicativo para incentivar ou facilitar condutas ilícitas e orientou os usuários a denunciar conversas suspeitas pela própria plataforma. A empresa afirmou que pode suspender ou desativar contas que violem os termos de serviço.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) declarou que a comercialização de contas é proibida pelas plataformas associadas. A entidade afirmou que as empresas usam validação de documentos, checagem de dados e reconhecimento facial, além de manterem canais de denúncia e cooperação com as autoridades.

Fonte: g1 Rio

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