O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto negou ter matado a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, durante interrogatórios prestados à Corregedoria da PM e à Polícia Civil de São Paulo em 19 de março, um dia após sua prisão preventiva.
Gisele foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, na região central de São Paulo. Geraldo é réu por feminicídio e fraude processual e sustenta que a soldado cometeu suicídio, versão contestada pelo Ministério Público e por laudos periciais citados no processo.
Durante o depoimento, o oficial chorou ao afirmar que não cometeu o crime e relatou as dificuldades enfrentadas no presídio Romão Gomes, da PM, onde está detido. Ele disse ser tratado como um “escravo” e afirmou preferir morrer a continuar preso.
Geraldo também foi questionado sobre mensagens em que usava as expressões “macho alfa” para se referir a si próprio e “fêmea beta” para mencionar Gisele. Segundo ele, os termos faziam parte de brincadeiras do casal relacionadas à vida sexual.
O tenente-coronel admitiu ainda que costumava apagar mensagens de discussões no WhatsApp, mas negou ter acesso ao celular da esposa. Ele afirmou que omitiu inicialmente ter mantido relação sexual com Gisele antes da morte por considerar o assunto privado.
Na versão apresentada à Polícia Civil, Geraldo disse que conversou com Gisele sobre a separação, tomou banho depois de uma discussão e ouviu um barulho. Ele afirmou ter encontrado a mulher caída e inicialmente imaginado que o som fosse uma porta batendo.
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística, divulgado em setembro, apontou que vestígios analisados são incompatíveis com a hipótese de suicídio, segundo a acusação. A defesa contesta as conclusões periciais e também questionou materiais que integram o laudo.
Após adiamentos, o interrogatório judicial de Geraldo foi remarcado para 5 de outubro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Ele também responde a processo administrativo no Conselho de Justificação da PM paulista.
Fonte: g1