Uma investigação do g1 identificou um interlocutor que negociava material de abuso sexual infantil no Telegram e afirmava usar a conta bancária de uma terceira pessoa para receber pagamentos via Pix. Segundo a reportagem, ele dizia que as transferências não poderiam ser rastreadas, informação contestada por investigadores da Polícia Federal.
O material era divulgado inicialmente no TikTok, por meio de publicações e códigos usados para direcionar interessados a grupos, chats e páginas de venda no Telegram. O g1 monitorou mais de 30 perfis e encontrou anúncios com preços a partir de R$ 10.
Em uma das conversas, o interlocutor afirmou que utilizava a conta de “uma menina” e que recebia muitos Pix por meio dela. A reportagem também identificou uma chave Pix vinculada a um endereço de e-mail com final “@estudante.rs.gov.br”; a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que entrou em contato com as autoridades para apurar o caso.
De acordo com investigadores ouvidos pelo g1, criminosos podem utilizar contas de ex-companheiras ou até de vítimas para tentar ocultar a ligação direta com as transações. Apesar da tentativa de disfarce, os dados das operações financeiras ficam registrados e podem auxiliar na identificação de compradores e responsáveis pela comercialização.
Os anúncios encontrados ofereciam pacotes com fotos e vídeos, incluindo material descrito pelos vendedores como envolvendo violência sexual. Em alguns casos, os criminosos enviavam prévias por meio de vídeos que desapareciam após a primeira visualização e liberavam os arquivos depois da confirmação do pagamento.
O Telegram afirmou que proíbe a distribuição desse tipo de material e informou ter removido mais de 339 mil grupos e canais relacionados ao abuso sexual infantil em 2026. O TikTok declarou que remove rapidamente as publicações, bane as contas envolvidas e comunica os casos às autoridades competentes.
Denúncias de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, por qualquer delegacia ou conselho tutelar. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O governo federal também orienta que conteúdos criminosos sejam denunciados diretamente às plataformas e, em casos de crimes cibernéticos com repercussão internacional, ao canal Comunica PF.
Fonte: g1