Ir para o conteúdo

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

MUNDO

Trump recebe Xi e evita confronto público sobre apoio chinês ao Irã

Trump recebe Xi em Washington, mas apoio chinês ao Irã mantém tensão entre os dois governos.

Compartilhe
WhatsApp

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o líder chinês Xi Jinping em Washington na quinta-feira, 24 de setembro, em uma reunião marcada por gestos de aproximação, enquanto o apoio de Pequim ao Irã permanecia como um dos principais pontos de tensão entre os dois governos.

Dados comerciais indicam aumento nas trocas entre China e Irã, com destaque para o petróleo e produtos manufaturados. Serviços de inteligência americanos também apontam uma possível cooperação chinesa com Teerã em áreas de interesse militar.

Antes do encontro, integrantes do governo Trump evitaram ampliar as cobranças públicas contra Pequim. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os líderes tratariam de temas relevantes de forma franca, enquanto o Departamento do Tesouro citou sanções contra instituições chinesas acusadas de violar restrições impostas ao Irã.

Segundo o embaixador dos Estados Unidos na China, David Perdue, Trump alertou Xi de que qualquer ajuda direta ou indireta ao Irã, incluindo inteligência, peças ou equipamentos militares, seria considerada inaceitável. A declaração foi dada à CNBC, após a reunião entre os presidentes.

A China é a principal compradora do petróleo iraniano e absorve cerca de 80% das exportações do país, de acordo com os dados citados na reportagem. As operações são realizadas por meio de uma rede de empresas, bancos e intermediários que busca contornar as sanções internacionais ampliadas a partir de 2018.

Documentos da alfândega iraniana citados pelo Wall Street Journal apontam mais de 1,3 mil remessas de produtos chineses considerados de uso duplo, civil e militar, para clientes no Irã. A relação inclui componentes eletrônicos, motores, peças de aeronaves, equipamentos de navegação e produtos químicos usados na fabricação de combustíveis para mísseis.

Informações de inteligência americanas também indicam que grupos chineses teriam fornecido dados de satélite usados pelo Irã para aperfeiçoar ações contra forças dos Estados Unidos no Oriente Médio. Em maio, três empresas sediadas na China foram sancionadas por supostamente facilitar ataques iranianos contra tropas americanas.

A aproximação entre Pequim e Teerã provocou críticas no Congresso americano. O senador republicano Roger Wicker questionou a recepção oferecida a Xi, enquanto o democrata Richard Blumenthal defendeu que Trump exigisse o fim do apoio chinês ao Irã.

Pequim rejeita as sanções americanas e afirma que elas não têm fundamento no direito internacional nem autorização do Conselho de Segurança da ONU. O governo chinês também declarou que cumpre suas obrigações internacionais e rejeitou acusações de exploração do conflito para difamar o país.

Ao final da visita, Trump afirmou que os dois países haviam feito grandes progressos e avançado de maneira positiva. Os presidentes não responderam a perguntas sobre a proposta iraniana de reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, anunciada na sexta-feira, 25 de setembro.

Fonte: O Globo

Leia também