O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira (25), em Nova York, que Teerã propôs aos Estados Unidos reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, desde que Washington aceite condições para interromper as hostilidades e retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo Araghchi, a proposta foi transmitida por meio de mediadores durante a Assembleia Geral da ONU. O plano prevê a suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos, o alívio das sanções sobre as vendas de petróleo e um cessar-fogo que inclua o Líbano.
O Irã também exige a liberação de ativos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões. Pelo plano, todas as hostilidades seriam interrompidas durante os sete dias e, no último dia, Teerã reabriria o estreito.
Após a reabertura da passagem marítima, começariam imediatamente as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Araghchi disse que seria melhor alcançar um acordo antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O ministro afirmou que se reuniu na terça-feira com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, em um encontro mediado pelo Catar. Ele classificou a conversa como produtiva, e o governo iraniano informou que novas reuniões podem ocorrer.
Uma autoridade americana disse que Washington mantém discussões positivas e construtivas com Teerã, mas não pretende se apressar para fechar um acordo. Trump afirmou que busca impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear por meio de um entendimento diplomático ou de novos ataques.
O porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, afirmou à AFP que o fim das hostilidades no Iêmen também estaria entre as exigências. Não está claro, porém, se essa condição faz parte formalmente da proposta apresentada aos Estados Unidos.
O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o transporte internacional de petróleo e gás. A interrupção do tráfego na região se tornou um dos principais instrumentos de pressão de Teerã durante a guerra.
Fonte: O Globo