Uma análise do Escritório de Contabilidade do Governo dos Estados Unidos (GAO) divulgada na quinta-feira (24) apontou que o governo de Donald Trump desperdiçou milhões de dólares na expansão da detenção de imigrantes, incluindo US$ 2,85 milhões em tendas nunca utilizadas na Baía de Guantánamo.
O acampamento em Cuba foi planejado para receber 5 mil pessoas, mas registrou média diária de 16 detidos em junho. Segundo o GAO, as estruturas não atendiam aos padrões federais de detenção e o projeto acabou abandonado.
O governo também gastou US$ 20,5 milhões em custos administrativos e serviços públicos relacionados a sete armazéns comprados às pressas e depois colocados à venda. Até julho, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) havia desembolsado mais de US$ 2,5 bilhões em instalações para abrigar detidos, sem avaliar os custos de longo prazo, de acordo com o relatório.
Em Camp East Montana, no Texas, o ICE gastou US$ 11,5 milhões em serviços durante duas semanas em que a instalação estava vazia. Entre outubro e março, também foram gastos US$ 7,1 milhões em refeições que não foram necessárias.
O relatório informou ainda que o ICE comprou 11 armazéns por US$ 1 bilhão e decidiu vender sete deles. Para evitar prejuízo, os imóveis precisariam ser vendidos por US$ 707 milhões, enquanto os custos não recuperáveis e os gastos com serviços públicos e segurança somaram US$ 20,5 milhões.
O GAO recomendou que o ICE elabore um plano estratégico amplo para orientar a expansão da detenção, com metas e orçamentos definidos. O órgão de imigração concordou com a recomendação.
Em comunicado, o senador Dick Durbin, democrata de Illinois e principal representante do partido no Comitê Judiciário, criticou os gastos e afirmou que o relatório expôs desperdícios na campanha de deportação do governo. Durbin e outros dois senadores democratas haviam solicitado a investigação.
Fonte: O Globo