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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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CULTURA

Sertanejo se reinventa e lidera o streaming brasileiro em 2026

Do caipira ao agronejo, o sertanejo atravessou quase um século de mudanças e voltou ao topo do streaming brasileiro em 2026.

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A música sertaneja voltou ao topo do streaming brasileiro no primeiro semestre de 2026 com “Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, de Panda, segundo levantamento da Pro-Música Brasil que reúne dados de Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Amazon Music e Napster. O resultado integra uma trajetória de quase um século, marcada pela transformação da música caipira em um dos principais fenômenos da indústria cultural do país. ([billboard.com.br](https://billboard.com.br/panda-lidera-ranking-das-musicas-mais-tocadas/))

A ascensão ocorre poucos dias depois da morte de Rick Sollo, da dupla Rick e Renner. O cantor morreu aos 59 anos em 22 de setembro, após a queda de um helicóptero na Serra Catarinense; os bombeiros informaram que nenhuma das cinco pessoas a bordo sobreviveu. ([agenciabrasil.ebc.com.br](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-09/bombeiros-encontram-helicoptero-com-corpo-do-cantor-rick))

O sertanejo atual, porém, está distante tanto da moda de viola quanto do repertório romântico que consagrou duplas como Rick e Renner. A análise publicada em 23 de setembro pela BBC News Brasil mostra como o gênero incorporou influências estrangeiras, elementos da música pop, do funk e da eletrônica ao acompanhar mudanças sociais, econômicas e culturais do Brasil. ([terra.com.br](https://www.terra.com.br/noticias/brasil/do-caipira-ao-agronejo-como-a-musica-sertaneja-se-tornou-a-mais-ouvida-do-brasil-contemporaneo%2C7c1af274b859d99e86d1d1217e057be0zf32lw4c.html))

O marco inicial dessa trajetória costuma ser associado à gravação de “Jorginho do Sertão”, em 1929, na voz de Mariano e Caçula. A canção, ligada à tradição da moda de viola, ajudou a transformar expressões musicais do interior paulista em produto de consumo de massa.

Nas décadas seguintes, o rádio ampliou o alcance do gênero. Duplas como Tonico e Tinoco levaram ao público urbano histórias do campo, do êxodo rural e da saudade de uma vida que muitos ouvintes haviam deixado para trás.

A partir dos anos 1950, o termo música sertaneja se tornou predominante e o estilo passou a dialogar com ritmos como a guarânia paraguaia e a ranchera mexicana. Nos anos 1960, a influência da Jovem Guarda e das guitarras elétricas aproximou o gênero dos filhos de migrantes nascidos nas cidades.

Na década de 1980, o sertanejo romântico ganhou espaço nas grandes gravadoras e na televisão. Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, João Paulo e Daniel e, posteriormente, Rick e Renner ajudaram a consolidar uma sonoridade mais pop, centrada em conflitos amorosos e no consumo de massa.

Na virada do século, o sertanejo universitário incorporou referências do pop, do rock e do axé e passou a dialogar diretamente com o público jovem urbano. O movimento também abriu caminho para novas vertentes, como o feminejo, associado à projeção de artistas como Marília Mendonça, Maiara e Maraisa, Simone Mendes e Ana Castela.

Mais recentemente, o agronejo aproximou o sertanejo de batidas eletrônicas, do funk e de narrativas ligadas à ostentação, ao consumo e ao agronegócio. Pesquisadores ouvidos pela BBC avaliam que essa vertente reflete a força econômica e cultural das cidades pequenas e médias, embora também apontem disputas políticas em torno da representação do campo e do setor agropecuário.

Para especialistas, a permanência do sertanejo está justamente na capacidade de absorver referências externas sem abandonar elementos tradicionais, como as narrativas em forma de crônica, o canto em dupla e a representação de experiências do interior. A liderança de Panda no ranking de 2026 reforça essa característica de reinvenção contínua, agora mediada pelas plataformas digitais.

Fonte: g1

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