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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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CULTURA

Sertanejo se reinventa e lidera o consumo musical no Brasil

Da moda de viola ao agronejo, o sertanejo se reinventou, incorporou novos ritmos e se consolidou como o gênero mais ouvido do Brasil.

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A música sertaneja se tornou o gênero mais ouvido do Brasil contemporâneo e chegou ao topo das plataformas de streaming com novas sonoridades, temas e formatos. O sucesso de “Eu Te Seguro”, do cantor Panda, é apontado como exemplo recente dessa permanência no mercado fonográfico.

O sertanejo atual, porém, está distante da música caipira gravada no início do século 20. Ao longo de quase cem anos, o gênero incorporou influências estrangeiras e elementos do pop, do rock, do axé, do funk e da música eletrônica, acompanhando mudanças sociais, econômicas e demográficas do país.

Um marco dessa trajetória ocorreu em 1929, quando o jornalista e folclorista Cornélio Pires financiou a gravação de “Jorginho do Sertão”, interpretada pela dupla Mariano e Caçula. A canção ajudou a transformar a moda de viola, antes associada às comunidades rurais do interior paulista, em produto da indústria cultural.

Na primeira metade do século passado, a radiodifusão ampliou o alcance das canções e ajudou migrantes do campo a preservar referências culturais nas cidades. Duplas como Raul Torres e Florêncio e, posteriormente, Tonico e Tinoco, consolidaram a profissionalização dos artistas e levaram o repertório sertanejo a públicos sem ligação direta com a vida rural.

A partir dos anos 1950, o termo música sertaneja passou a prevalecer, enquanto o gênero incorporava ritmos como guarânia, ranchera, cururu, cateretê e catira. As letras também passaram a enfatizar a saudade do campo, o êxodo rural e o romantismo, refletindo a urbanização acelerada do país.

Nos anos 1960, duplas como Léo Canhoto e Robertinho aproximaram o sertanejo da Jovem Guarda, com guitarras elétricas e referências da música mexicana. A transformação se aprofundou nas décadas de 1980 e 1990, quando o chamado sertanejo romântico ganhou espaço na televisão, no rádio e nas grandes gravadoras com artistas como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo e Zezé Di Camargo e Luciano.

Na virada do século, o sertanejo universitário incorporou características do pop internacional e passou a dialogar com o público jovem urbano. As letras se concentraram em festas, bebidas, relacionamentos, paqueras e consumo, enquanto muitos artistas deixaram o formato tradicional de dupla e passaram a atuar em carreira solo.

Entre os desdobramentos mais recentes estão o feminejo, que ampliou a presença de mulheres no gênero, e o agronejo, marcado pela combinação de batidas eletrônicas, pop e funk com referências ao campo e ao agronegócio. Artistas ligados a essa vertente ajudaram a consolidar uma imagem rural associada à ostentação, à tecnologia e ao poder econômico.

Para pesquisadores ouvidos na reportagem, a força do sertanejo está justamente na capacidade de absorver outras linguagens e representar as transformações do Brasil. O gênero deixou de retratar apenas o cotidiano do pequeno produtor rural e passou a refletir também a vida urbana, as cidades médias e a expansão do agronegócio.

Apesar das mudanças, a narrativa continua sendo um elemento central. Histórias de amor, separações, trabalho, bebida, traição e deslocamento permanecem no repertório, enquanto a tradicional combinação de vozes em terças mantém uma das marcas históricas da música sertaneja.

Fonte: g1

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