O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (24), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis.
Freixo ficou conhecido nas investigações envolvendo o Banco Master após firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. A delação foi homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o relato apresentado à investigação, Freixo realizou sete transferências que somaram US$ 12,333 milhões entre janeiro e setembro de 2025. Os recursos foram enviados ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, a pedido de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e teriam sido destinados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O empresário entregou comprovantes das transferências e mensagens trocadas com Paulo Calixto, gestor fiduciário do fundo e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Freixo afirmou que não sabia qual seria a destinação final do dinheiro após os depósitos, e a Polícia Federal apura se todo o montante foi utilizado na produção cinematográfica.
Na colaboração, Freixo também relatou ter movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para gerar dinheiro em espécie a pedido de Vorcaro e de pessoas ligadas a ele. Segundo o depoimento, os valores eram entregues em malas e podiam variar entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão por operação.
A relação do empresário com a Carbono Oculto aparece por meio de empresas ligadas a ele. Documentos do Ministério Público apontam que a EntrePay recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech relacionada a empresas de investigados na operação, enquanto a Entre Investimentos repassou R$ 620 mil à Quimicolor, empresa citada na apuração sobre pagamentos envolvendo metanol posteriormente desviado para adulteração de combustíveis.
A existência dessas movimentações, por si só, não indica que Freixo seja integrante da organização criminosa. A investigação busca esclarecer o contexto, a finalidade e eventual relação dos pagamentos com o esquema apurado pelo Ministério Público.
Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou pelo mercado financeiro e fundou o Grupo Entre em 2016. Ele também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investigou operações relacionadas ao Banco Master. Até a publicação da reportagem original, a defesa do empresário não havia sido localizada.
Fonte: g1