A China acelera a construção de centros de dados em Ulanqab, na Mongólia Interior, para ampliar sua capacidade de inteligência artificial às vésperas do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para 24 de setembro de 2026, em Washington.
A região, conhecida por décadas como uma importante área produtora de batatas, reúne quase 100 centros de dados abertos ou em construção desde 2016. Projetos anunciados por empresas chinesas somam cerca de 12,5 gigawatts de capacidade, segundo levantamento citado pela revista Wired. ([wired.com](https://www.wired.com/story/the-unlikely-place-at-the-center-of-chinas-ai-boom/))
Ulanqab atrai investimentos por causa do clima frio, da disponibilidade de terras, da proximidade com Pequim e do custo relativamente baixo da eletricidade. A área também concentra fontes de energia eólica e solar, embora parte relevante da rede elétrica ainda dependa do carvão. ([wired.com](https://www.wired.com/story/the-unlikely-place-at-the-center-of-chinas-ai-boom/))
Empresas como Huawei, ByteDance, Alibaba e DeepSeek estão associadas à expansão da infraestrutura chinesa de computação. A estratégia é considerada pelo governo de Xi Jinping um componente de segurança econômica e nacional e pretende ampliar o uso da IA em setores industriais e sociais até 2030.
A disputa tecnológica entre Pequim e Washington deve integrar a agenda do encontro entre Trump e Xi, ao lado de comércio e tarifas. O governo americano mantém restrições à exportação de chips avançados e de equipamentos para fabricação de semicondutores destinados à China. ([apnews.com](https://apnews.com/article/b29908e516faff9f5a82b201ba954aab))
O presidente americano rejeitou pedidos de executivos do setor para reduzir o ritmo de desenvolvimento da IA, alegando que os Estados Unidos precisam preservar a liderança diante da China. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, defende controles mais rígidos e a manutenção das restrições à venda de tecnologia avançada para empresas chinesas.
Apesar da rivalidade, representantes dos dois países indicaram a possibilidade de discutir riscos compartilhados e padrões de segurança para a IA. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington está aberto a conversas sobre os riscos da tecnologia e sobre modelos de código aberto e fechado. ([axios.com](https://www.axios.com/2026/09/16/us-open-ai-shared-risks-china-bessent))
A China também tenta avançar com modelos de código aberto, que podem ser modificados por empresas e governos. A estratégia reduz custos, favorece a adoção internacional e ajuda o país a contornar limitações impostas pelo acesso restrito aos chips mais avançados.
A expansão, porém, provoca preocupações ambientais e sociais. Ulanqab é uma área árida, com disponibilidade limitada de água, e especialistas alertam que o crescimento dos centros de dados pode aumentar a pressão sobre os recursos locais. Moradores também relatam dúvidas sobre empregos, deslocamento de comunidades e benefícios econômicos para a população rural.
Enquanto empresas e autoridades tratam a IA como uma ferramenta para modernizar a economia e enfrentar o envelhecimento da população, agricultores da região dizem ter pouco contato com a tecnologia e não perceber mudanças significativas em sua rotina.
Fonte: g1