A China acelera a construção de centros de dados em regiões afastadas dos grandes centros urbanos para ampliar sua capacidade de inteligência artificial, enquanto os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se preparam para discutir tecnologia e segurança da IA nesta semana, em Washington.
Na região de Ulanqab, na Mongólia Interior, instalações de computação são erguidas ao lado de áreas agrícolas. A cidade, conhecida por sua produção de batatas, foi escolhida por fatores como terrenos mais baratos, clima frio e disponibilidade de energia eólica e solar.
Empresas como Huawei, ByteDance e DeepSeek estão ligadas à expansão de estruturas de computação em Ulanqab e em outras províncias chinesas. Os centros de dados são considerados estratégicos por Pequim para aumentar o poder de processamento necessário ao treinamento e à operação de modelos de inteligência artificial.
A estratégia chinesa também inclui a formação e a retenção de profissionais. Pesquisadores entrevistados pela BBC afirmaram que mais especialistas chineses estão retornando ao país, em parte por causa das restrições impostas pelos Estados Unidos e das oportunidades oferecidas por programas governamentais.
Pequim ainda promove modelos de IA mais baratos e de código aberto, que podem ser modificados por empresas e governos. A abordagem é apresentada como uma alternativa aos sistemas fechados desenvolvidos por companhias americanas, como OpenAI e Anthropic.
A disputa tecnológica ocorre em meio a restrições dos Estados Unidos à venda de chips avançados e equipamentos para a China. O presidente Donald Trump afirmou que quem vencer a corrida da IA terá vantagem estratégica, enquanto o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu a manutenção dos controles de exportação.
A expansão, porém, enfrenta críticas e desafios ambientais e sociais. O consumo de água em áreas áridas, a dependência parcial de carvão e a possível remoção de comunidades estão entre as preocupações relatadas por moradores. Agricultores locais também afirmam que os novos empreendimentos ainda produziram poucos benefícios diretos para parte da população.
A China pretende ampliar o uso da inteligência artificial na economia e na sociedade até 2030. Ao mesmo tempo, Xi Jinping defende regras internacionais para a tecnologia, mas a velocidade da construção de infraestrutura indica que Pequim mantém o foco em ampliar sua capacidade antes de qualquer eventual acordo regulatório com Washington.
Fonte: g1