A China acelera a construção de centros de dados e a formação de profissionais para ampliar sua capacidade em inteligência artificial, enquanto os presidentes Donald Trump e Xi Jinping discutem a tecnologia e sua segurança nesta semana.
Na região de Ulanqab, na Mongólia Interior, áreas antes conhecidas pela produção de batatas passaram a receber grandes instalações destinadas a fornecer poder de computação para empresas chinesas. O país também constrói centros de dados em províncias como Ningxia, Gansu e Guizhou, onde há terrenos mais baratos, clima frio e disponibilidade de energia eólica e solar.
Para o governo chinês, a infraestrutura é parte de uma estratégia de segurança nacional e desenvolvimento econômico. Pequim pretende levar a inteligência artificial a 90% das indústrias e da sociedade até 2030, além de usar a tecnologia para enfrentar o envelhecimento da população e automatizar setores da economia.
A China também tenta ampliar sua base de talentos. Pesquisadores e engenheiros que estudaram no exterior vêm retornando ao país, atraídos por investimentos, programas governamentais e oportunidades de aplicar a IA em áreas como saúde, novos materiais, energia e medicamentos.
A disputa tecnológica com os Estados Unidos inclui o acesso a chips avançados e a definição do modelo de desenvolvimento da IA. Enquanto empresas americanas como OpenAI e Anthropic adotam modelos fechados, Pequim incentiva empresas chinesas a desenvolver sistemas de código aberto, que podem ser modificados por governos, empresas e usuários.
O avanço chinês ocorre apesar das restrições americanas à venda de chips e equipamentos de alta tecnologia. O presidente Donald Trump afirmou que quem vencer a corrida da IA terá vantagem estratégica, enquanto o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu a manutenção das restrições sob o argumento de que uma liderança chinesa no setor representaria riscos para os Estados Unidos e para o mundo.
A expansão dos centros de dados também provoca preocupações ambientais e sociais. As regiões escolhidas enfrentam escassez de água, parte da eletricidade ainda é gerada por carvão e moradores relatam dúvidas sobre benefícios econômicos, empregos e deslocamentos de comunidades rurais.
Apesar dos investimentos, a adoção da IA não é uniforme no país. Agricultores de áreas rurais afirmam que a tecnologia ainda tem pouca influência em seu cotidiano, enquanto especialistas apontam que o sistema chinês pode favorecer a conformidade e limitar o questionamento, mesmo com o crescimento da produção científica.
As ambições chinesas tornam as conversas entre Trump e Xi especialmente relevantes, mas a competição por chips, infraestrutura, pesquisadores e influência regulatória torna incerta uma cooperação ampla sobre os riscos e os limites do desenvolvimento da inteligência artificial.
Fonte: g1