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sábado, 10 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

ELEIÇÕES 2026

Com R$ 615 milhões do fundo eleitoral, PT abre arrecadação virtual para campanha de Lula

Plataforma ligada ao partido aceita contribuições de R$ 13 a R$ 1.064

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Presidente Lula, durante entrevista a Record no último domingo(23)
Crédito: Foto: Ricardo Stuckert

O PT abriu uma arrecadação virtual para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o partido tenha recebido R$ 615 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026. A plataforma permite doações entre R$ 13 e R$ 1.064 por operação.

Os R$ 615 milhões de fundo eleitoral que o PT tem dirieto não correspondem, necessariamente, a recursos reservados para a candidatura de Lula. Trata-se da parcela destinada ao partido para financiar campanhas em todo o país. O PT ficou com a segunda maior fatia do fundo eleitoral, atrás do PL, e o critério de distribuição está relacionado à representação das siglas no Congresso.

A coexistência de recursos do fundo eleitoral e de doações de apoiadores não indica, por si só, insuficiência de verba para a campanha presidencial. A arrecadação virtual pode acrescentar receitas à candidatura e funcionar como canal de mobilização da militância. O partido não informou quanto pretende repassar à candidatura de Lula nem quais critérios adotará para dividir o fundo entre seus candidatos.

A principal questão, portanto, não é a abertura da vaquinha em si, mas o peso que ela terá no orçamento eleitoral. Sem o total arrecadado e sem a definição pública sobre a destinação dos R$ 615 milhões recebidos pelo partido, não é possível medir a relevância financeira das contribuições individuais diante dos recursos partidários disponíveis.

Total não aparece de forma consolidada

A arrecadação ocorre em uma plataforma própria do PT, que exibe uma relação de doadores atualizada em tempo real, mas não apresenta um total consolidado do valor recebido. O formato, conforme descreve a publicação, dificulta a soma e a comparação imediata dos dados.

As cinco maiores contribuições identificadas na lista tinham o teto de R$ 1.064. Com base nesses registros, em aproximadamente 24 horas, a arrecadação vinculada a Lula já havia superado os valores atribuídos às vaquinhas de Ronaldo Caiado, do PSD, e de Augusto Cury, do Avante. Essa comparação, contudo, depende da conferência direta das plataformas e dos dados declarados pelas campanhas.

Outros candidatos a presidente também abriram suas "vaquinhas". Renan Santos, do Missão, aparecia com R$ 1,26 milhão obtidos de 20,5 mil apoiadores. Flávio Bolsonaro, do PL, teria R$ 201 mil; Samara Martins, da UP, R$ 82 mil; Edmilson Costa, do PCB, R$ 13,4 mil; Rui Costa Pimenta, do PCO, R$ 5,5 mil; Caiado, R$ 4,8 mil; Cury, R$ 4,5 mil; Hertz Dias, do PSTU, R$ 2 mil; e Clariana Barão, do DC, R$ 127.

O financiamento coletivo eleitoral é permitido pela Justiça Eleitoral desde 2017. Lula usou o mecanismo em pleitos anteriores: em 2018, quando teve a candidatura barrada nas urnas, teria arrecadado R$ 533 mil; em 2022, R$ 1,9 milhão.

Para 2026, o fundo eleitoral soma R$ 4,9 bilhões, a serem distribuídos entre os partidos. Por serem recursos públicos destinados às campanhas das legendas em âmbito nacional, a parcela recebida pelo PT não permite concluir, por si só, quanto estará disponível para Lula.

A prestação de contas à Justiça Eleitoral será o principal instrumento para acompanhar a arrecadação e o uso dos recursos. Os valores captados pela plataforma deverão ser declarados. Até lá, permanecem pendentes a confirmação do total recebido, a identificação das regras e do cadastro da plataforma, a meta da campanha e a explicação do PT sobre como as doações se articularão à distribuição do fundo eleitoral entre suas candidaturas.

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