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segunda-feira, 05 de outubro de 2026

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OPINIÃO

A pesquisa que não vota, mas pode mudar a eleição

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Pesquisa Datafolha Piauí - Eleições 2026
Crédito: Diário do Povo

Campanhas eleitorais vivem de votos, mas também vivem de ambiente. E poucas coisas alteram tão rapidamente o ambiente político quanto uma pesquisa Datafolha exibida pela Rede Globo.

O levantamento nacional será divulgado nesta sexta-feira, 21 de agosto, a partir das 18h40. Há apenas um ajuste importante no calendário: a pesquisa específica do Piauí está registrada para ser liberada no sábado, dia 22, sob os números PI-06656/2026 e BR-05672/2026. Portanto, teremos um fim de semana inteiro de números, comemorações, explicações e reuniões de emergência.

A expectativa é grande porque não se trata apenas de mais uma fotografia eleitoral. Será o primeiro Datafolha nacional realizado depois do registro oficial das candidaturas e do início da campanha nas ruas. O levantamento ouviu 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais. Além das intenções de voto, mede rejeição, aprovação do governo, grau de definição do eleitor e diferentes possibilidades de segundo turno. A divulgação nacional começa nesta sexta-feira.

Na pesquisa anterior, divulgada em julho, Lula aparecia com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio Bolsonaro. Em uma eventual disputa direta, Lula tinha 48% e Flávio, 43%.

O número mais importante desta nova rodada, entretanto, talvez não seja a distância absoluta entre os dois. Será o sentido do movimento.

Lula ampliou, manteve ou perdeu vantagem? Flávio conseguiu crescer depois de oficializar sua candidatura? A entrada de Pablo Marçal no cenário retira votos principalmente de quem? O eleitor está escolhendo um candidato ou apenas tentando impedir a vitória do adversário?

Essas respostas terão consequências práticas.

Se Lula ampliar a vantagem, fortalecerá a narrativa de que continua sendo o favorito e poderá aumentar a pressão sobre os partidos de centro para que se aproximem de sua campanha. Se Flávio reduzir a diferença, demonstrará que sua candidatura atravessou as primeiras crises e permanece competitiva. Um empate técnico no segundo turno produzirá tensão, dinheiro, mobilização e disputa ainda maior por alianças.

Pesquisa não entrega faixa presidencial. Mas ajuda a decidir quem recebe apoio, quem atrai recursos e quem passa a ser tratado como possibilidade real de poder.

No Piauí, a expectativa talvez seja ainda maior.

As pesquisas divulgadas até agora apontam Rafael Fonteles com ampla vantagem na disputa pelo governo. O Datafolha deverá mostrar se essa liderança continua estável depois do início oficial da campanha ou se Joel Rodrigues conseguiu produzir alguma mudança no cenário.

Para Rafael, não basta continuar na frente. A questão política será verificar se sua vantagem ainda projeta uma vitória no primeiro turno e se sua força pessoal permanece ligada à de Lula no estado.

Para Joel, o desafio será demonstrar crescimento. Se continuar muito distante, sua campanha terá de encontrar rapidamente uma nova mensagem, porque uma candidatura não sobrevive por muito tempo apenas dizendo que ainda vai reagir.

Mas a principal atenção estará voltada para o Senado.

O Piauí escolherá dois senadores, e a disputa envolve nomes experientes, estruturas políticas relevantes e um eleitorado que ainda não definiu completamente seus dois votos. Em levantamento da AtlasIntel divulgado em junho, Marcelo Castro aparecia com 20,1%, Júlio César com 15,8%, Ciro Nogueira com 12,6% e Tiago Junqueira com 7%. Brancos, nulos e indecisos ainda ocupavam parcela expressiva do cenário. Os três primeiros estavam próximos dentro da margem de erro.

É nessa disputa que o Datafolha poderá produzir o maior impacto.

Marcelo Castro precisa saber se sua liderança se consolidou ou se permanece dependente da margem de erro. Júlio César precisa medir se o apoio de Rafael Fonteles e de Lula começou a transformar-se efetivamente em intenção de voto. Ciro Nogueira descobrirá se sua estrutura municipal continua suficiente para compensar o desgaste político e a ambiguidade de sua posição nacional. Tiago Junqueira poderá avaliar se existe uma faixa própria para o voto bolsonarista ou se esse eleitorado ainda não o reconhece como candidato competitivo.

Em uma eleição com duas vagas para o Senado, a leitura exige cuidado. O eleitor pode conhecer seu primeiro voto e ainda não saber o segundo. Pode escolher um candidato governista e outro de oposição. Pode votar por afinidade, por indicação ou simplesmente porque reconhece melhor um nome.

Por isso, não será suficiente olhar apenas para a classificação.

Será necessário observar a pesquisa espontânea, o grau de certeza do voto, a rejeição, o potencial de crescimento e o volume de indecisos. Uma diferença pequena pode significar empate real. Uma vantagem aparentemente confortável pode esconder um eleitorado pouco convicto.

Também será preciso resistir ao velho teatro das campanhas. Quem crescer um ponto falará em tendência. Quem cair dois dirá que oscilou dentro da margem de erro. Quem estiver à frente chamará a pesquisa de científica. Quem aparecer atrás questionará a metodologia.

É um roteiro conhecido.

O Datafolha terá enorme repercussão não porque seja infalível, mas porque combina uma marca nacionalmente reconhecida com a capacidade de divulgação da Globo. Seus números serão repetidos nos telejornais, portais, redes sociais, reuniões políticas e conversas familiares.

Essa exposição produz um efeito que vai além da estatística. Ela cria percepção de força.

Por isso, o fim de semana poderá representar uma mudança de fase na eleição. Até agora, muitas campanhas trabalharam com expectativas, pesquisas locais e números internos que ninguém podia conferir. Com a divulgação do Datafolha, cada candidato receberá um retrato público de sua posição.

Alguns descobrirão que estão mais fortes do que imaginavam. Outros perceberão que o discurso ainda não chegou ao eleitor.

A pesquisa não decidirá o voto do Piauí. Mas poderá decidir o que cada campanha fará a partir de segunda-feira.

E, em uma eleição curta, mudar a estratégia no momento certo pode ser quase tão importante quanto aparecer na frente.

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