A Polícia Federal (PF) comunicou a advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sua decisão de rejeitar a proposta de delação do banqueiro. A recusa ocorreu na semana passada, enquanto as investigações do escândalo financeiro avançam.
Vorcaro, preso desde abril em Brasília, tinha firmado um termo de confidencialidade há dois meses para negociar um acordo de delação premiada, mas sua proposta inicial foi considerada insuficiente pelos órgãos de investigação, que acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliação.
Recentemente, a PF transferiu Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da corporação em Brasília, além de reforçar as restrições no acesso de advogados ao banqueiro, com controles mais rígidos e horários específicos.
Investigações indicam que as provas reunidas até agora, incluindo dados de celulares de Vorcaro, seu cunhado e um ex-operador conhecido como Sicário, apresentam elementos mais robustos do que os relatos já entregues na delação preliminar. Entre as informações não reveladas estão detalhes sobre supostas mesadas e favores políticos a figuras como o senador Ciro Nogueira e o ex-deputado Flávio Bolsonaro.
Relacionamentos do banqueiro com esses políticos, incluindo uso de imóveis e gastos com viagens de luxo, estão sob investigação. Vorcaro nega irregularidades e defende-se das acusações.
Na semana passada, Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, foi preso sob suspeita de ser operador financeiro da organização criminosa vinculada ao caso, atuando como demandante e beneficiário dos supostos esquema de fraudes.
As autoridades continuam analisando os elementos coletados e avaliam o potencial de avançar na colaboração, condição essencial para que Vorcaro possa obter benefícios na Justiça. A delação, cujo aceite dependia da apresentação de uma confissão mais detalhada, ainda não foi homologada pelo STF, devido à rejeição da proposta pela PF.
Fonte: O Globo.