A Polícia Federal (PF) comunicou aos advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que rejeitou sua proposta de delação. A decisão foi confirmada pelo GLOBO e inicialmente apurada pelo G1. O banqueiro, envolvido em um dos maiores escândalos financeiros do país, buscava convencer as autoridades de que colaboraria de forma efetiva nas investigações, mas apresentou uma primeira versão de seus depoimentos considerada insuficiente pelos agentes.
Enquanto isso, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, com restrições mais rígidas para visitas de advogados, que agora seguem horários controlados. Sua defesa ainda não se pronunciou oficialmente sobre as mudanças nas condições de custódia.
Na semana passada, Vorcaro havia firmado um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada. No entanto, a Polícia Federal, juntamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR), avalia que suas declarações precisam ganhar mais substância. Os investigadores consideram que o material obtido de celulares do banqueiro, de seu cunhado e de um ex-operador, revela elementos mais relevantes do que as primeiras versões de sua colaboração.
Entre os pontos que ainda não foram abordados na delação, estão alegações de pagamentos de mesadas a políticos, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e supostas trocas de mensagens com o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essas informações vieram à tona após a primeira entrega de Vorcaro, considerada inicialmente superficial pelos investigadores.
Antes de oferecer a colaboração, Vorcaro pediu à Polícia Federal a transferência do presídio em Brasília e garantias de proteção a familiares. Recentemente, a PF prendeu seu pai, Henrique Vorcaro, suspeito de atuar como operador financeiro da organização criminosa liderada pelo banqueiro, envolvido em operações de intimidação contra adversários do grupo.
A recusa na aceitação da delação ocorre em um momento de maior rigor na investigação, que mira crimes financeiros ligados ao escândalo e a possíveis benefícios ilegais a políticos. A homologação final da delação, caso venha a ser aprovada, depende da análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fonte: O Globo