O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), classificou como "lambança" o processo de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp), nesta quinta-feira (21). Ele afirmou que, se eleito, irá reconsiderar pontos do contrato de concessão com os municípios.
Haddad acusou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de criar uma "Enel da água", fazendo referência à distribuidora de energia elétrica que atende a região metropolitana e frequentemente enfrenta críticas por apagões. Segundo Haddad, a Sabesp recebe mais queixas no Procon do que a Enel, principalmente por mau atendimento, e quer verificar as cláusulas do contrato para proteger os consumidores.
O pré-candidato afirmou ainda que a experiência de privatização no setor não tem resultado positivo, citando acidentes e tragédias relacionadas ao serviço. Haddad participou de uma mesa de debates na Faculdade de Ciências Econômicas da Unifesp, em Osasco, onde também defendeu a política econômica do governo Lula e criticou o déficit fiscal herdado do mandato de Jair Bolsonaro. Ele prometeu evitar o ajuste fiscal tradicional, que corta gastos em saúde, educação e reajustes salariais, optando por alternativas que não prejudiquem os serviços públicos.
Em relação às eleições estaduais, Haddad revelou que deve definir sua chapa até o final de maio. Ele evitou comentar sobre possíveis alianças, incluindo nomes como Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), e sinalizou a possibilidade de lançar dois nomes ao Senado no campo progressista, discutindo a melhor composição com lideranças.
O ex-ministro também voltou a comentar o escândalo envolvendo fraudes no Banco Master, relacionando as irregularidades a figuras próximas a Bolsonaro, como o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Haddad afirmou que a Polícia Federal tem autonomia e que o caso envolve integrantes de um núcleo duro ligado ao ex-presidente e ao atual senador, com dinheiro público em jogo.