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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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ECONOMIA

TCU aponta desalinhamento na política financeira da Petrobras em 2024

TCU identifica desalinhamento na gestão financeira da Petrobras em 2024, com pagamento de dividendos e dívidas above do planejado e investimentos abaixo das metas, podendo afetar credibilidade e sustentabilidade da estatal.

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TCU aponta desalinhamento na política financeira da Petrobras em 2024

O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou inconsistências na gestão financeira da Petrobras em 2024, quando comparado ao planejamento estratégico da companhia. Em relatório aprovado nesta terça-feira pelos técnicos do tribunal, foi constatado que a Petrobras realizou pagamentos de dividendos e dívidas acima do previsto, enquanto os investimentos ficaram abaixo das metas.

O documento alerta que esse descompasso pode comprometer a sustentabilidade financeira de longo prazo da estatal e afetar sua credibilidade no mercado. A análise revela que, ao contrário do planejado, que destinava 52% das receitas de caixa para investimentos, a Petrobras investiu 39% a menos do que o previsto. Por outro lado, os pagamentos de dívidas superaram as projeções em 49% e a distribuição de dividendos foi 88% maior do que o estimado.

Dados do relatório apontam ainda que a dívida bruta da estatal voltou a subir, impulsionada por contratos de arrendamento de plataformas e navios, atingindo US$ 64,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025. Além disso, indicadores de rentabilidade apresentaram deterioração nos últimos períodos, com a Petrobras se tornando diferente do comportamento das principais petroleiras internacionais.

O parecer técnico afirma que, na prática, os investimentos perderam espaço e os dividendos ganharam prioridade, contrariando a lógica do planejamento inicial. O ministro relator, Augusto Nardes, destacou que a estatal apresenta sinais de deterioração financeira e operacional, com o aumento da alavancagem e a queda de rentabilidade.

A Petrobras afirmou, em nota, que suas decisões financeiras em 2024 e no início de 2025 seguem uma gestão alinhada ao cenário de mercado, focada na sustentabilidade, geração de valor e disciplina de capital. A companhia também reforçou que seus planos estratégicos possuem diretrizes de longo prazo, que são monitoradas e ajustadas conforme fatores operacionais, regulatórios e econômicos.

Sobre o pagamento de dividendos, a empresa alegou que as decisões seguem políticas aprovadas pelos órgãos de governança. Quanto ao aumento da dívida, a companhia atribuiu principalmente aos contratos de arrendamento. A Petrobras assegurou ainda que mantém níveis de endividamento considerados saudáveis e que o TCU não identificou irregularidades na gestão, apenas recomendações para aprimoramento, que serão analisadas pela governança da companhia. Entre as recomendações do tribunal, está a definição de limites de tolerância para variações nos dividendos, investimentos e endividamento, além da elaboração de planos de contingência.

A análise do TCU abrange seis categorias de variáveis: endividamento, rentabilidade, investimentos, remuneração ao acionista, liquidez e atividade.

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