O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou um descompasso na gestão financeira da Petrobras em 2024, refletido no relatório aprovado nesta terça-feira pela corte. Segundo o documento, a estatal realizou pagamentos de dividendos e quitação de dívidas superiores às projeções, enquanto seus investimentos ficaram abaixo das metas estabelecidas.
O levantamento aponta que essa distorção pode comprometer a sustentabilidade financeira da companhia a longo prazo e afetar sua credibilidade no mercado. A equipe técnica do TCU ressaltou que, enquanto o plano estratégico previa direcionar 52% das fontes de caixa para investimentos, a Petrobras investiu apenas 39% desse valor. Em contrapartida, os pagamentos de dívidas superaram as projeções em 49%, e a distribuição de dividendos atingiu 88% acima do esperado.
De acordo com o relatório, a dívida bruta da Petrobras tem voltado a crescer, impulsionada pelo aumento de arrendamentos, além de indicadores de rentabilidade que mostraram deterioração nos últimos trimestres. A análise destaca que a companhia se descolou do padrão das grandes petroleiras internacionais, invertendo a lógica de investimentos que estava no centro do planejamento estratégico.
O parecer do TCU informa que a dívida bruta atingiu US$ 64,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025, reflexo, sobretudo, do incremento nos contratos de arrendamento de plataformas e navios. O ministro relator Augusto Nardes expresó preocupação com sinais de piora nos indicadores financeiros e operacionais, incluindo aumento de alavancagem e queda de lucratividade.
Em resposta, a Petrobras afirmou que suas decisões financeiras em 2024 e no início de 2025 seguem o cenário de mercado e são conduzidas com foco na sustentabilidade, valor para acionistas e disciplina de capital. A estatal reforçou que os planos estratégicos são definidos a longo prazo, com monitoramento e ajustes constantes conforme fatores operacionais, regulatórios e econômicos da indústria de óleo e gás. Sobre os dividendos, destacou que suas políticas de distribuição seguem orientações dos órgãos de governança.
A companhia também ressalta que o aumento da dívida ocorreu principalmente por contratos de arrendamento e que seus níveis de endividamento permanecem considerados saudáveis e compatíveis com sua capacidade de geração de caixa. Por fim, a Petrobras afirma que o TCU não identificou irregularidades em suas ações, tendo apenas recomendado melhorias que serão avaliadas na governança corporativa. Entre as recomendações, o tribunal sugeriu estabelecer limites formais para variações em dividendos, investimentos e endividamento, além de criar planos de contingência para desvios relevantes.
A análise do TCU foi estruturada em seis categorias: endividamento, rentabilidade, investimentos, remuneração ao acionista, liquidez e atividade.