O dólar encerrou a sexta-feira (15) acima de R$ 5, atingindo o maior valor em um mês, enquanto a bolsa brasileira caiu em meio a um cenário de incertezas internacionais e domésticas. A aversão global ao risco foi impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pressões inflacionárias internacionais e o agravamento das tensões políticas no Brasil.
A moeda americana fechou cotada a R$ 5,067, com alta de 1,63% no dia e 3,48% na semana. No ano, o dólar acumula queda de 7,70%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,61%, fechando aos 177.284 pontos, influenciado pelo pessimismo externo e preocupações fiscais e políticas internas.
No cenário internacional, a possibilidade de aumento de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed) pressionou os mercados. A inflação ao produtor no Japão acelerou para 4,9% em abril, levando os juros dos títulos públicos japoneses a níveis recordes desde 1999. Esse movimento levou investidores a reverterem operações de 'carry trade', que se beneficiavam de juros baixos no Japão para investir em mercados emergentes como o Brasil, causando fortalecimento do dólar e retirada de capital.
Internamente, desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro aumentaram a incerteza e a busca por proteção na moeda americana. A divulgação de novas reportagens sobre as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master também contribuiu para a cautela.
Os preços do petróleo subiram mais de 3%, com o barril Brent a US$ 109,26 e o WTI a US$ 105,42, diante do aumento das tensões no Oriente Médio e da falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz. Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre sua paciência com o Irã ter se esgotado, e a resposta iraniana de desconfiança, mantêm a preocupação com a inflação global e a volatilidade nos mercados financeiros.