Aliados políticos vislumbram a possibilidade de Eduardo Bolsonaro (PL) desistir da candidatura de suplente ao Senado por São Paulo antes do início oficial da campanha eleitoral. A articulação, que ocorreria até as convenções partidárias, segundo fontes sob reserva, enfrenta a resistência pública do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do titular da chapa, André do Prado. A principal preocupação reside no risco jurídico associado a Eduardo, que responde a um processo penal por coação. Uma condenação poderia torná-lo inelegível e, em caso de permanência na chapa, anular os votos obtidos por Prado, beneficiando adversários ligados ao presidente Lula.
André do Prado, no entanto, assegura que Eduardo Bolsonaro está apto a concorrer e permanecerá na disputa "até o final". Prado utiliza a aliança com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como estratégia para angariar apoio dentro do bolsonarismo, almejando uma candidatura baseada em políticas locais e acordos com Valdemar Costa Neto e o PL.
O deputado federal Ricardo Salles (Novo), rival de Prado, contesta essa narrativa, classificando o candidato do PL como representante do "Centrão", e não da direita. Salles, ex-ministro de Bolsonaro, tem buscado se desvencilhar do grupo político após insistir em sua candidatura à prefeitura de São Paulo e apoiar Pablo Marçal (União Brasil).
A definição da equipe de campanha de Prado está em andamento e deve ser discutida com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas próximas semanas. O publicitário Duda Lima, ex-marqueteiro de Bolsonaro, é cotado para participar. Nesta sexta-feira (15), Prado tem um evento com o deputado Guilherme Derrite (PP).
Especialistas em Direito Eleitoral alertam que a situação de inelegibilidade de um candidato afeta toda a chapa. A substituição de nomes é permitida até 20 dias antes do primeiro turno, mas a não resolução de pendências pode levar à anulação dos votos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação de Eduardo Bolsonaro na ação penal por coação. O caso, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, apura se o ex-parlamentar tentou constranger ministros da Corte e interferir no julgamento do pai.
O PL estaria consultando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a situação jurídica de Eduardo, conforme apurou a revista "Veja". O partido e advogados próximos à família Bolsonaro não comentaram o assunto. O caso é delicado, pois consultas ao TSE não podem abordar situações concretas.
Novas complicações podem surgir de diálogos revelados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, que tratam da captação de recursos para o filme "Dark Horse". A Polícia Federal investiga se o dinheiro, originário de um fundo nos EUA e gerido por um advogado ligado a Eduardo, poderia ter sido utilizado para custear sua permanência no exterior. Eduardo nega as acusações.
Do lado adversário, o presidente Lula e o PT buscam compor alianças com partidos de centro para as vagas em São Paulo contra o grupo de Tarcísio. Simone Tebet (PSB) se filiou ao partido e mudou seu domicílio eleitoral para concorrer. Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB) são cotados para a chapa, que terá Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo.