O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um "caso de polícia" a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes financeiras. A declaração ocorreu durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari (BA).
"Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", disse Lula ao ser questionado por jornalistas.
A investigação aponta que Flávio Bolsonaro teria articulado repasses de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Banco Master teve liquidação decretada pelo Banco Central no fim do ano passado.
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, que revelou o caso, áudios e mensagens de WhatsApp indicam a negociação dos valores, com menção a pagamentos de "parcelas para trás". Parte do dinheiro teria sido repassada entre fevereiro e maio de 2025, via transferências internacionais de uma empresa de Vorcaro para um fundo nos EUA gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro está preso e negocia delação premiada. Deputados da base governista apresentaram denúncia à PF e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido o recurso e mantido relação com Vorcaro, mas afirmou tratar-se de uma questão privada e de patrocínio para um filme, sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet. Ele negou ter combinado vantagens indevidas e acusou o governo Lula de "relações espúrias" com o banqueiro.