O empresário Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) sob suspeita de usar a conta de seu pai para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do banco Master. A Polícia Federal (PF) aponta que Daniel Vorcaro, filho de Henrique e banqueiro, utilizou os recursos em meio às investigações da Operação Compliance Zero. Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobria o rombo financeiro deixado pelo Master, a quantia teria sido escondida de credores e vítimas.
Henrique Vorcaro é um dos alvos principais da sexta fase da operação, que cumpriu mandados de prisão e busca em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O nome de Vorcaro já havia surgido em março, durante a terceira etapa da ofensiva, que resultou em sua segunda prisão.
Na época, o ministro André Mendonça revelou que Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões na conta de Henrique junto à empresa CBSF DTVM, antiga Reag. A Reag é investigada na Operação Carbono Oculto por suposta lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento, mas nega irregularidades.
A PF considera a ocultação de valores, mesmo após a liberação de Vorcaro em novembro, como indício de que ele continuou praticando condutas ilícitas. Os indícios de "ocultação e dilapidação do patrimônio obtido ilicitamente" embasaram a segunda prisão de Vorcaro em março.
Uma semana antes da terceira fase da Compliance Zero, o nome de Henrique Vorcaro foi citado em um pedido para congelar uma mansão na Flórida, nos Estados Unidos. A família Vorcaro seria a proprietária do imóvel, adquirido em fevereiro de 2023 pela empresa Sozo, através de Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro (pai e irmã do banqueiro). O documento sustenta que a compra da mansão faz parte de um esquema para adquirir ativos com recursos desviados do Master, dando "continuidade à fraude".