A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta terça-feira (20) um vídeo nas redes sociais em que o vice-presidente Geraldo Alckmin questiona a proposta de Flávio Bolsonaro de cortar quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal e compara a medida ao ajuste fiscal adotado na Argentina de Javier Milei.
A equipe econômica do candidato do PL estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de um eventual governo. A proposta inclui rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço, mas ainda não detalha de onde viria a economia.
No vídeo, gravado em tom informal, Alckmin cita mudanças nas regras de reajuste de aposentadorias, restrições ao seguro-desemprego e redução de programas de distribuição gratuita de medicamentos na Argentina. O vice-presidente afirma que integrantes da equipe econômica de Flávio já defenderam medidas semelhantes, enquanto o senador nega a intenção de cortar benefícios sociais.
A campanha petista sustenta que a conta do ajuste não fecha sem mudanças em despesas que afetam a população. Alckmin também menciona episódios relacionados ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro, às rachadinhas e à discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 para questionar a credibilidade das promessas do adversário.
A nova ofensiva ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar, no início de outubro, a retirada de uma propaganda que associava os cortes defendidos por Flávio à redução de recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida. Segundo a decisão, não havia elementos suficientes para atribuir essas intenções ao candidato.
Agora, a campanha de Lula concentra o ataque na falta de detalhes sobre o ajuste fiscal e usa a experiência argentina para questionar suas possíveis consequências. Flávio defende a redução das despesas públicas, mas nega que o plano inclua cortes em benefícios sociais.
Fonte: O Globo