A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar se recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foram desviados para cobrir despesas da estadia do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A suspeita é que o dinheiro, originalmente destinado a um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, possa ter sido usado para fins pessoais de um dos filhos do ex-mandatário.
A apuração parte de informações divulgadas pelo portal Amado Mundo e confirmadas pelo jornal O Globo. Conversas interceptadas, reveladas pelo site Intercept Brasil, mostram Flávio Bolsonaro pressionando Vorcaro por repasses para o filme biográfico, mesmo ciente das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Master na época. A obra, focada na campanha de 2018 de Bolsonaro, teria recebido R$ 61 milhões do banqueiro.
Flávio Bolsonaro admitiu as negociações, mas negou irregularidades, classificando-as como um patrocínio privado para um projeto particular. Ele afirmou que não houve dinheiro público envolvido e que não houve favores em troca. No entanto, diálogos revelam a insistência do senador em obter os fundos, mesmo com a crise do banco e com a proximidade da prisão de Vorcaro.
Em um dos contatos, datado de setembro de 2025, Flávio expressou preocupação com atrasos e a tensão entre os envolvidos na produção do filme. Dois meses depois, reforçou o pedido por uma solução. Inicialmente, o senador negou as conversas, mas, após a publicação da reportagem, reconheceu os contatos, mas os definiu como transações entre partes privadas.
Daniel Vorcaro está preso e negocia uma delação premiada que pode envolver figuras de todos os Poderes da República. Espera-se que ele revele detalhes sobre sua atuação em busca de blindagem política para ocultar fraudes no Banco Master. O escândalo, que já atingiu nomes de diferentes espectros políticos, intensifica a disputa de narrativas e, somado a outras operações da PF, como a que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), afeta diretamente o bolsonarismo.
Fonte: O Globo