O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta terça-feira (20) que o PT evitou por anos o debate sobre segurança pública e que o governo demorou a compreender as prioridades da população.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Santana disse que Lula já era favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos antes de defender publicamente a proposta. Segundo o senador, ele conversou com o presidente antes de apresentar a medida no Senado, mas não precisou convencê-lo a apoiá-la.
O parlamentar defendeu que a responsabilização penal a partir dos 16 anos fique restrita a delitos de extrema gravidade. Ele rejeitou a redução para 14 anos, proposta pela oposição, e afirmou que a mudança, sozinha, não será suficiente para combater a criminalidade.
Para Santana, o enfrentamento da violência também exige julgamentos mais rápidos de crimes contra a vida, escolas em tempo integral e ampliação das oportunidades de emprego. Ele disse que a discussão ganhou espaço durante a disputa em torno da PEC da Segurança Pública e acusou adversários de tentar tumultuar a tramitação da proposta do governo.
O senador também defendeu Lula diante das críticas sobre o congelamento dos valores do Bolsa Família. De acordo com Santana, o presidente acreditava que os reajustes do benefício ocorriam automaticamente, como no salário mínimo, e se surpreendeu ao constatar que não havia aumento.
Sobre a eleição, Santana afirmou que ainda há eleitores indecisos e pessoas que apoiaram Lula em 2022, mas não votaram no primeiro turno. Ele reconheceu que o governo não conseguiu se comunicar adequadamente com a população e disse que a campanha precisa mostrar que a mudança segura seria com Lula.
Fonte: O Globo