O Projeto de Lei que visa combater a misoginia tem sido alvo de uma intensa onda de desinformação nas redes sociais. Políticos de direita estariam coordenando a disseminação de narrativas falsas, teorias conspiratórias e conteúdos manipulados por inteligência artificial para atacar a proposta, aprovada pelo Senado em março. Um estudo do Observatório Lupa, realizado entre 24 de março e 30 de abril de 2026, analisou centenas de milhares de publicações em plataformas como X, Facebook, Instagram e Threads, identificando padrões de desinformação.
O PL 896/2023 define misoginia como "a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres". Se aprovado pela Câmara sem alterações, o texto poderá equiparar a misoginia ao racismo, prevendo pena de dois a cinco anos de prisão.
O pico de desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação no Senado, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O vídeo associava o PL da Misoginia a trechos de outro projeto de lei, o PL 4224/2024, da senadora Ana Paula Lobato, uma associação considerada falsa pelos pesquisadores. A publicação teve ao menos 751 mil visualizações em 24 horas antes de ser editada.
As narrativas falsas mais disseminadas alegam que o projeto restringiria a liberdade de expressão, poderia ser usado para perseguir a direita, criminalizaria perguntas cotidianas sobre TPM ou levaria à demissão em massa de mulheres. O estudo também aponta o uso de inteligência artificial para criar vídeos falsos sobre as consequências da proposta.
Entre os influenciadores na disseminação da desinformação estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. Termos associados à cultura "redpill", que enxerga o projeto como uma ameaça aos homens, também cresceram.
O estudo ressalta que as postagens distorcem o debate ao ignorar que o projeto foca em práticas discriminatórias que geram "constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida" em razão do gênero.