O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou em Santa Catarina na sexta-feira (8) que seu governo, caso eleito, poderia durar até oito anos. A declaração contraria falas anteriores sobre cumprir um único mandato. A estratégia, iniciada em fevereiro, visava ampliar o diálogo com o Centrão e a direita. "O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello, governador de SC], seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias", disse o senador.
No sábado, em Florianópolis, Flávio Bolsonaro minimizou a declaração, chamando-a de "distorção". "Eu sou contra a reeleição, mas eu acho quatro anos muito pouco para um mandato só. Isso vai ser uma discussão que vai ter no Congresso. Eu não quero a reeleição. Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Eu acredito que ela vai ser aprovada, mas convenhamos, quatro anos acho muito pouco para um mandato só para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar", declarou.
A proposta de Flávio, apresentada em fevereiro, previa o fim da reeleição para presidente, restabelecendo o modelo anterior a 1997. Ele argumentava que o sistema atual gera um "estado permanente de eleição".
A fala ocorreu durante o lançamento de uma chapa em Santa Catarina, que incluiu Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Flávio também criticou a suspensão da Lei da Dosimetria pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. "Parece, mais uma vez, um jogo combinado; mais uma vez é a democracia que fica abalada. É uma decisão do Congresso Nacional, em sua grande maioria, defendendo a lei da anistia, que, numa canetada monocrática, mais uma vez, o ministro do Supremo revoga a decisão de nós, os verdadeiros representantes do povo", disse.
O senador acusou Alexandre de Moraes de ter feito um "jogo combinado" com o relator do texto no Congresso, o deputado Paulinho da Força. "Eu acho estranho, porque foi o próprio Alexandre de Moraes que escreveu o texto que foi aprovado no Congresso Nacional. Foi ele quem interditou o debate no Legislativo", afirmou.
Fonte: O Globo