O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como "um homem bom, um cara inteligente" após um encontro de três horas na Casa Branca. A reunião, focada em pautas comerciais e tarifas, foi considerada "ótima" por Trump.
"Tivemos uma ótima reunião, ele é um homem bom, um cara inteligente", declarou Trump a jornalistas. Ele mencionou que o Brasil busca alívio nas tarifas de importação impostas pelos EUA.
Lula, por sua vez, classificou o encontro como "muito produtiva" em suas redes sociais. Relatos de ministros brasileiros presentes indicam uma conversa amigável, com Lula expressando otimismo sobre a aproximação entre os países e a possibilidade de Trump "gostar" do Brasil.
Durante o almoço, Lula brincou com Trump sobre a possibilidade de cancelamento de vistos para jogadores da seleção brasileira de futebol, em referência à Copa do Mundo sediada pelos EUA, México e Canadá.
A reunião marcou a terceira vez que os dois líderes se encontram pessoalmente, com outras ocasiões em Nova York e Kuala Lumpur. Lula retornou ao Brasil na mesma noite.
Em coletiva após o encontro, ministros brasileiros reiteraram a natureza produtiva e positiva da conversa, que abordou temas complexos. Lula afirmou que voltou ao Brasil "mais otimista" e que espera avanços nas relações bilaterais.
Sobre parcerias internacionais para exploração de minerais críticos, Lula assegurou que o Brasil está aberto a parcerias com diversos países, sem restrições geopolíticas, buscando agregar valor aos recursos no próprio país, em vez de apenas exportar a matéria-prima.
O presidente brasileiro também ressaltou a importância dos EUA em retomar o interesse pela América Latina e defendeu acordos comerciais multilaterais como antídoto a políticas unilaterais. Equipes dos governos de ambos os países trabalharão por mais 30 dias para avançar nas negociações sobre tarifas de importação.
O combate ao crime organizado foi um dos temas discutidos, com Lula destacando a expertise brasileira e a necessidade de cooperação internacional. Assuntos como Pix e intervenção em eleições brasileiras não foram abordados, segundo Lula, que reafirmou o respeito à soberania popular.
Em relação à guerra no Irã, Lula reiterou sua posição em favor do diálogo, entregando a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010 mediado por Brasil e Turquia, como demonstração da possibilidade de resoluções pacíficas.