A Polícia Federal (PF) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o retorno do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o presídio federal de Brasília. Vorcaro está atualmente detido na superintendência da PF no Distrito Federal. O ministro André Mendonça é o relator do caso e ainda não decidiu sobre o pedido.
A solicitação da PF foi feita em 24 de abril, antes que a defesa de Vorcaro apresentasse uma proposta de delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira (4/5). Investigadores expressaram insatisfação com a demora de Vorcaro em fornecer detalhes de sua colaboração. Fontes indicam que os detalhes iniciais foram considerados insuficientes.
A PF informou que não assinará acordo de delação se Vorcaro não apresentar informações inéditas sobre irregularidades do Banco Master. A proposta de delação, segundo a coluna de Malu Gaspar, não incluiu detalhes sobre pagamentos mensais de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Tais pagamentos, segundo as investigações, teriam ocorrido em troca de atuação parlamentar em favor de interesses do banqueiro.
Essas informações constam em decisão de Mendonça que autorizou mandados de busca e apreensão contra o senador na nova fase da Operação Compliance Zero. A defesa de Ciro Nogueira repudiou as ilações e afirmou que o senador está à disposição da Justiça.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, suspeito de tentar fugir do país. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes de cerca de R$ 12 bilhões no Banco Master. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o banco por crise de liquidez e insolvência.
Libertado em novembro de 2025, Vorcaro teve o caso remetido ao STF pelo ministro Dias Toffoli. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após menções em seu celular serem encontradas pela PF. O ministro André Mendonça assumiu e, em março, determinou nova prisão de Vorcaro, atendendo a pedido da PF que o apontava como líder de organização criminosa.
Fonte: O Globo