A Polícia Federal quer ouvir mulheres, incluindo estrangeiras, que frequentavam festas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A investigação apura uma possível rede estruturada de exploração sexual nos eventos, que eram usados por Vorcaro para aproximar-se de autoridades. A apuração corre em paralelo às investigações sobre supostas fraudes bancárias.
Mensagens obtidas pela PF sugerem que as festas, algumas realizadas em Trancoso, na Bahia, contavam com rígido controle de acesso, incluindo detectores de metais e proibição de celulares. Vorcaro teria alugado uma casa no distrito e, segundo reclamações da proprietária, o local foi "enchendo de putas" e "amigos", com som acima do permitido.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) já havia solicitado ao órgão a identificação de autoridades públicas que teriam participado dos eventos e verificado se órgãos públicos financiaram viagens para as festas. Segundo a representação ao TCU, altas autoridades dos Três Poderes, do mercado financeiro, da política e do meio jurídico teriam comparecido aos eventos, nomeados como "Cine Trancoso".
Em mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro teria admitido a presença de "desse tipo" de mulher em festas para um público de "300 pessoas", justificando como parte de seu "business". A defesa do ex-banqueiro apresentou proposta de delação premiada à PF. Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou.